quinta-feira, 9 de agosto de 2018

ARENGA 510


 Em matéria publicada no blog Outras Palavras, Boaventura de Sousa Santos fala que temos raízes cravadas nos conceitos que herdamos para analisar ou avaliar o mundo em que vivemos. Acontece que dos conceitos transmitidos de uma geração a outra geração nenhum se refere à necessidade de se analisar a vida. Ao contrário, aprende-se a desnecessidade desta análise. A religião ensina que o destino é traçado por Deus e, portanto, inalterável. Desta falsidade resulta a cultura do conformismo com os sofrimentos desnecessários. Tão falso quanto a desnecessidade de se meditar sobre como se viver bem é a necessidade de ajuntar riqueza. Desta forma, o que as gerações posteriores recebem das anteriores é a cultura antissocial do malogro, da esperteza e do levar vantagem. Nunca, porém sobre a vida. 

A presidente da mais alta corte de justiça do Brasil, ministra Carmem Lúcia, diz esperar que propostas de políticos sobre o STF não passem de retórica. Por mais inacreditável que possa parecer, o que propõem os políticos é a submissão da justiça ao banditismo que toma conta do Poder, sendo ainda mais inacreditável a conivência de membros daquela corte com a bandidagem. Pois, embora inacreditável, é a realidade. Este país é realmente um poço de absurdos e quem se insurge contra eles recebe rajada de metralhadora. Daí a cautela que a ministra demonstrada ao declarar apenas “esperar” não passar de retórica a ação dos políticos contra a justiça. Como chefe daquela instituição, entretanto, deveria meter na cadeia os bandidos em vez de temê-los.

Na página 64 do volume VII da série de estudos do filósofo Eric Voegelin, intitulada História das Ideias Políticas, há referência da necessidade de devolver ao homem sua relação com Deus. Ora, outros filósofos afirmam que Deus nunca foi mais do que uma invenção, afirmação esta mais condizente com a realidade porque a ideia de Deus sugere uma paz e uma tranquilidade que nunca existiram desde que se tem notícia da existência do mundo. Além disso, o que mostra a história da religião é que a própria figura de Deus tem dado motivo para morticínios sem fim.

Tais constatações levam à conclusão de haver necessidade de se inverter a ideia proposta pela palavra religião (ligação do homem a Deus) para uma ligação dos homens entre si porque enquanto predominar a cultura do cada um por si haverá infelicidade de montão. Inté.   

sábado, 4 de agosto de 2018

ARENGA 509


Meu amigo Movér, escritor, poeta, e de várias outras serventias úteis à sociedade, me recomenda não ser contra os intelectuais. Todavia, para quem nasceu com o defeito de desejar que os seres humanos deixem para os irracionais esse negócio de ter medo uns dos outros não há como não ser contra a atitude indiferente dos intelectuais a esse respeito. Eles desperdiçam o riquíssimo cabedal de conhecimento sobre os mais diversos assuntos, menos sobre o motivo pelo qual os seres humanos digladiam quando deviam se abraçar. É imperdoável a despreocupação dos intelectuais quanto a esta realidade. Em vez de erudição, caberia a eles mostrar a nós de poucas letras ser inteiramente incompatível competição e vida social. Pior ainda que a indiferença é haver entre eles quem defenda esta cultura flagrantemente antissocial que em vez de saúde e tranquilidade encheu o planeta de armas, gases venenosos, bombas, morticínio, riqueza, pobreza e infelicidade. É por isso, meu caro amigo Movér, que ainda na pequenez da minha desimportância não deixo de condenar os intelectuais. Como podem homens de grande discernimento ficarem impassíveis ante a deterioração moral, cinismo, falta de pudor, roubalheira desavergonhada, autoridades compactuando com a bandidagem que transformou o Estado de Direito em Estado do Crime? Se a ninguém, nem mesmo aos Zemanés é dado o direito de não observar que se todos os seres humanos normais gostariam de poder viver na tranquilidade da paz. Por que, então, não vivem se é o que desejam? É, pois, imperdoável a atitude dos intelectuais de pavonear erudição e não se interessarem em empregar sua sabedoria em torno desta distorção de valores que faz de brutamontes sociais e vulgares as pessoas mais valorizadas da sociedade. Abração, meu amigo. Inté.

 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

ARENGA 508


Quando eu era menino, os filmes eram anunciados em cartazes amarrados nos postes de iluminação. Entre os colegas na escola primária da minha ainda insipiente cidadezinha de Itapetinga, então município de Itambé, para debochar (hoje “buling” em função do babaovismo do brasileiro com as coisas do estrangeiro) com um colega procedente de outra cidadezinha ainda menor que a nossa Itapetinga de metade do século passado, um dos nossos colegas mais inventivo dizia que viu lá na cidade desse outro colega um cartaz que anunciava da seguinte maneira as excelências de um filme de caubói: “Murro prá carái. Tiro como corno. Tá rebocado quem não ir”. Nunca consegui entender direito o significado de “tá rebocado”. Mas lembro que “estar rebocado” era ofensa. Como pensamento de velho não sossega, esta lembrança me foi trazida antes de sair da cama, ao ouvir pelo rádio um candidato a governador anunciar suas excelências sobre as inconveniências do oponente. Para o colega lá da escolinha, pensei, as campanhas eleitorais seriam mais ou menos assim: “Óia, cês tudo vota neu pruquê garanto lutá prá carái pelo bem docês tudo. Tanto os daqui como de quarqué lugá. Falô?”. O motivo da comparação é que as tais campanhas eleitorais têm a mesma falta de lógica das propagandas de bancos, do agribiuzinesse criador de fortunas e de cânceres, do consumismo, do mercado financeiro. É tudo armadilha visando explorar a estupidez humana. Embora ninguém mais acredite neles, os urubus, digo, os candatos, em torno da carniça, digo, do erário, dizem ter por objetivo o bem da população. Isto é tão ridículo quanto o banqueiro Henrique Meireles dançando forró. E não é menos ridícula a seriedade com que os papagaios de microfone entrevistam os pretendentes à chave do cofre. Perguntar-lhes como agiria em tal situação é de uma estupidez cavalar porque até mesmo um Zemané sabe perfeitamente que eles pretendem fazer isso aí que a Lava Jato está mostrando. A política nunca deixou de ser a arte de parasitar a massa bruta de povo ainda iludida com eleições. Está na imprensa que o banqueiro Henrique Meireles conta com sua eleição porque dispõe de milhões e milhões para gastar. Caberá à massa bruta de povo restituir estes milhões com os juros bancários. No tocante ao interesse público, com as necessárias e raríssimas ressalvas (felizmente), a palavra autoridades sempre mereceu ser escrita entre aspas. No O capítulo 21 do livro Cocaína, A Rota Caipira, de Allan de Abreu, intitulado Advogados do Crime, lê-se a seguinte passagem: “No fim dos anos 1980, um juiz federal de Campo Grande (MS) inocentou um traficante flagrado com 1,2 tonelada de maconha alegando que o laudo pericial não apontava se a droga era “macho ou fêmea”. Além disso, determinou a devolução do carregamento ao seu dono”. Agora, temos ministros da mais alta corte de justiça fazendo a mesma coisa com ladrões.

Se o funcionamento dos meios de comunicação não lhes permite interromper um minuto sua comunicação, pelo menos devem comunicar alguma coisa não tão imbecil quanto a nojeira das campanhas eleitorais, principalmente sobre as de países estrangeiros. Absolutamente nada pode justificar arrancar bilhões do lombo da massa bruta de povo para gastar em eleições enquanto falta dinheiro para coisas essenciais. Entretanto, a papagaiada de microfone, passando ao largo de assuntos que dizem respeito às causas da esculhambação, tergiversam inutilmente em torno de coligações, candidatos à excrescência da figura inútil de um vice para aboletar-se em palácio e ser motivo para mais falatórios inúteis. Tá, ou não tá precisando mudar tudo? Pior é que esta estupidez não está apenas nas sociedades primitivas como a nossa, ainda de braços dados com o regime colonial. Também as sociedades tidas como civilizadas estão mal e a pedir a mudança que inevitavelmente virá malgrado a má vontade da papagaiada de microfone que a soldo dos Reis Midas do mundo fazem de tudo para eternizar a insustentável cultura da competição. Denigrem o socialismo acusando-o de assassinatos, mas escondem a realidade de inexistir um sistema político ideal uma vez haver infinitamente maior número de assassinatos decorrente da competição que leva a sociedade à violência que é a marca registrada tanto no socialismo quanto no capitalismo que o babaovismo garante ser o ideal.

A História mostra, pelo menos no entendimento de quem é de poucas letras, que as várias mudanças ocorridas não aconteceram porque pessoas se reuniram e disseram “VAMOS MUDAR!”. Ninguém disse “VAMOS FAZER FOGO!”, “VAMOS INVENTAR A AGRICULTURA, A RODA, DOMESTICAR ANIMAIS, A ATIVIDADE COMERCIAL, O MERCADO OU O CAPITALISMO”. Apesar disto, aconteceram, e acontecerem em função da tendência natural de evoluir que leva o ser humano à ação quando premido por incômodo que dá origem à necessidade de mudança, necessidade esta que sempre existiu e que provocou várias mudanças, todas inócuas uma vez que o desassossego nunca deixou de fazer parte do cotidiano em virtude de viverem os humanos a grande fantasia do desconhecimento da realidade da vida ao acreditar não ter fim o vigor da juventude. Tendo se tornado insustentável a cultura da competição, algo diferente haverá de substituí-la. Sendo o conhecimento cumulativo, isto é, o conhecimento adquirido facilita a aquisição de mais conhecimento, o que pode ser constatado ao se verificar que à medida em que se executa determinado trabalho a facilidade de executá-lo aumenta na proporção das repetição de sua execução, a acumulação de conhecimentos, do mesmo modo, levará inevitavelmente à conclusão de haver forma menos estúpida de se viver. Da mesma forma como os grandes escritores começaram tomando conhecimento do nome das letras, do mesmo modo como toda caminhada por maior que seja começa pelo primeiro passo, o caminhar no rumo de uma vida melhor, embora lentamente, prossegue. O desalento em torno das eleições mostra que até mesmo seres quase irracionais como os da massa bruta de povo foram levados à percepção da falsidade que as envolve. Também facilmente observável é que da acumulação de conhecimentos tem resultado em que as mudanças ocorram com maior celeridade. Esta é a razão pela qual a pré-história durou mais que a primeira fase da história, que durou mais do que a segunda, que durou mais que a terceira, que durou mais que a quarta e última, esta em que vem a humanidade aos trancos e barrancos se arrastando até os dias atuais numa vida que em nada difere da vida das feras.

 O grande erro dos seres humanos vem sendo repassado de geração a geração. Consiste em que aqueles que por esse ou aquele motivo vieram a se encontrar em situação considerada privilegiada em relação aos demais seres humanos, eliminando com tal comportamento a igualdade tão falada nos tratados internacionais. É verdade que em função da brutalidade humana é impossível a igualdade absoluta. Entretanto, uma vez que os seres humanos são obrigados a viverem em sociedade,  em nome da sociabilidade, pois, não há de ser tão grande a desigualdade, razão pela qual pecam fragorosamente contra si mesmos aqueles que sempre se opuseram a qualquer tipo de mudança em função da cultura contrária à cooperatividade necessária à vida coletiva. A cultura da competição é responsável por todos os males da humanidade por ser impossível uma sociedade na qual uns membros vivem tomando de outros membros da mesma sociedade as coisas de que necessitam sem levar em consideração que os usurpados necessitam também daquilo que lhes é tomado. Esta realidade é visível. Aparece, por exemplo, na notícia no Jornal do Brasil de que o lucro dos bancos (R.$28,8 bilhões ao ano) é quase a metade do montante que atenderá as necessidades de trinta e nove milhões de famílias no programa Bolsa Família. Isto justifica plenamente o que disse o historiador de ser o ser humano uma criatura estúpida. Se nas sociedades humanas mais adiantadas no ainda insipiente processo de civilização, aquelas nas quais é menor a desfaçatez da indiferença quanto ao bem-estar coletivo, ainda guerreiam ente si, este fato demonstra não terem as sociedades tidas como civilizadas alcançado ainda a evolução espiritual capaz de viverem a paz de que tanto falam. Que dizer, então, das sociedades mais atrasadas? Pode-se dizer seguramente que ainda não deixaram a pré-história.

Embora os meios de comunicação procurem evitar a todo custo, é sumamente necessário pensar sobre estas coisas. As criancinhas precisam que seus pais se inteirem do porquê de girarem as notícias na imprensa em torno de brutamontes semianalfabetos e completamente ignorantes de sociabilidade considerando-os “famosos” e “celebridades”, ou em torno de bundas, doutores bumbuns, langerries, enfim, em torno de baixarias. Por trás disto estão as Forças Ocultas representadas por infinita papagaiada de microfone empenhada em fazer crer que brincadeiras são mais importantes que assuntos do tipo dos assuntos tratados aqui, embora de forma risível para os intelectuais que escrevem calhamaços enfadonhos versando sobre o que é, mas sem uma palavra sequer sobre o porquê de ser assim e muito menos sobre como deve ser. O último desperdício de meu pouco dinheiro com estas inutilidades foi a compra do livro A Elite do Atraso do intelectualíssimo Jessé de Souza. O atraso é notório. Se os intelectuais estivessem realmente interessados num tipo de vida menos estúpida deveriam se ocupar em buscar o porquê de tamanho atraso humano capaz de justificar a existência dos morticínios comuns na história da vida dos homens, inclusive em nome da figura imaginária de Deus. Mas, não. Gastam sua intelectualidade mostrando o que está à vista de todos. Pior ainda são os intelectuais que dizem ser esta a melhor forma de se viver, quando é palpável a realidade de ser esta fase histórica conhecida por Contemporânea tão insustentável quanto as duas que a precederam e cuja insustentabilidade as levou a sucumbir por se fundamentaram na existência de exploradores e explorados como acontece agora na mesma intensidade e de forma ainda mais desumana. Mais desumana ainda porque de tal modo disfarçada que os explorados agradecem a Deus quando conseguem um emprego que os explore até restar um caco choroso no corredor do hospital.

Embora desde séculos antes de Cristo o imperador Ciro, por meio do Cilindro de Ciro, condenasse o procedimento de exploração de seres humanos por outros seres humanos, tal exploração nunca deixou de existir. Alguma forma menos desinteligente de viver, para o bem das criancinhas que mães ignorantes lançam no mundo, não  deverá jamais deixar de ser procurada. Inté.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

ARENGA 507


As candidaturas de Luciano Huck a presidente da república e de Romário a governador do Rio de Janeiro expõem a realidade de haver algo de estupidamente errado com a política. Sendo ela, a política que determina as condições de vida da humanidade, fica claro a necessidade de uma nova política porque desta que está aí resultou uma insegurança tão grande e geral que ninguém está a salvo de a qualquer momento ser vítima da violência. Embora intelectuais e analistas políticos discorram incansável e enfadonhamente sobre política, ninguém se preocupa com o motivo pelo qual pessoas incapazes de redigirem um texto sobre algum assunto ainda que trivial por absoluta falta de conhecimento podem ser chefes de governo com aprovação das velhas raposas da política como Fernando Henrique Cardoso e Miro Teixeira? Antes da resposta, abre-se um parênteses para observar a propriedade da expressão “velhas raposas” atribuída aos políticos mais experientes.  porque o interesse e a ação deles na política é o mesmo interesse e ação da raposa no galinheiro. Fechado o parêntese, a resposta à questão de não se exigir qualificação intelectual para chefes de governo é simples: É que a “res publica” ou recursos públicos são considerados coisa de ninguém. Esta é a razão pela qual ninguém se interessa pelo resultado de sua administração. Quanto ao interesse das “velhas raposas” em ter como chefe do galinheiro, digo, do governo, pessoas de nenhuma qualificação moral ou intelectual é que a falta de discernimento e absoluta incapacidade administrativa destas pessoas, decorrente de seu analfabetismo, torna tais criaturas marionetes tão facilmente manobráveis que a chave do galinheiro, digo, do cofre, fica à mercê das “velhas raposas”.

O fato de haver algo errado com a política só não é percebido pelo povo por lhe ser vetada a atividade de pensar. Embora as aulas de filosofia, ciência que objetiva o desenvolvimento da atividade de pensar, não sejam absorvidas pela juventude porque as mentes dos jovens estão preocupadas com o exame de urina do jogador de futebola, a matéria filosofia está sendo retirada do currículo escolar, o que certamente ocasionará aos intelectuais oportunidade para demonstrar erudição através de grande, inútil e enfadonha tergiversação sobre o assunto. Mas na verdade tal procedimento visa dificultar à massa bruta de povo a percepção de sua condição de burro de carroça puxando um mundo de parasitas, realidade que aparece em notícias como esta, intitulada LUCRO DE BANCOS É MAIOR QUE GASTO COM BOLSA FAMÍLIA, onde se lê: Ganhos de cinco famílias banqueiras vão superar os R$ 30 bilhões do programa com 39 milhões de famílias. O Segundo maior banco privado do país, o Bradesco, fundado por Amador Aguiar, em 1943, divulgou ontem lucro líquido recorrente de R$ 5,161 bilhões no segundo trimestre. É por isto que se proíbe à massa bruta de povo o contato com a filosofia porque só mesmo não pensando para se encarar como normal uma política da qual resulte tão brutal realidade.

A tarefa de viver está envolta num manto de falsidades que só são aceitas em função da incapacidade de pensar implantada nas pessoas desde tenra idade graças em função de dois fatores: A MALDADE HUMANA E A FACILIDADE COM QUE O CÉREBRO PODE SER CONDUZIDO. Esta realidade pode ser percebida quando o banqueiro paga a “celebridade” Rodrigo Santoro para se dirigir ao povo e sugerir-lhe “benesses” do Bradesco.

Custa nada sonhar com um mundo habitado por gente em vez de povo. Nenão? Inté.   

 

 

 

 

 

 

 

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quinta-feira, 26 de julho de 2018

ARENGA 506


Para saber o motivo da desarrumação do mundo não é preciso ler nenhuma das seiscentas e quarenta e três páginas do livro A desordem Mundial, do intelectualíssimo Luiz Alberto Moniz bandeira, calhamaço chatíssimo e próprio para intelectuais e seus livros bons de venda porque eles estão mais preocupados em pavonear sua intelectualidade em esbanjamento de erudição do que em explicar o motivo pelo qual há desordem no mundo, o que fica plenamente explicado tomando-se conhecimento da seguinte frase do historiador Henry Thomas na página dezesseis do livro História da Raça Humana: O HOMEM É UMA CRIATURA ESTÚPIDA. Os dicionários definem a estupidez como falta de inteligência. Assim, não se pode esperar que seres desprovidos de inteligência sejam capazes de ações inteligentes que pusessem ordem no mundo. A estupidez humana aparece de modo espetacular nas suas duas principais prioridades: Deus e riqueza, justamente as causas da infelicidade humana por serem duas irrealidades. Simples assim. É nociva a crença na existência de Deus porque ela implanta outra falsa crença: a de não ser preciso lutar por um destino melhor uma vez que Deus estabelece o destino de cada um. Simples assim: deixando-se o destino individual ao acaso, deixa-se também ao acaso o destino da humanidade porque ele é a somatória dos destinos individuais, enquanto que a nocividade da crença na riqueza é que ela depende da competição que desembocou na realidade insustentável e perigosa de haver um rico para milhões de pobres a lamber os beiços, de olhos grandes sobre a riqueza dele.

Não há maior estupidez do que pensar o futuro apenas no que diz respeito a dinheiro; há estupidez em apodrecer a água do planeta e ir procurá-la em Marte porque ainda que se ligue um cano na água de lá e a traga prá cá, ela custará tão caro que a imensa massa bruta de povo não aguentará a sede e avançará sob o que quer que a impeça de beber a água marciana azul ou verde. Há estupidez em não meter de pronto políticos na cadeia. Ter dúvida sobre seus crimes, como faz a (in)justiça), equivale a se encontrar as penas da galinha que falta no galinheiro e ter dúvida se ela foi morta pela raposa encontrada lá dentro. Há estupidez em não condicionar a quantidade de usuários à quantidade de recursos naturais; há estupidez no consumismo, na crença de que emprego seja sinônimo de bem-estar social, na necessidade de se acalmar o Mercado em vez da violência que leva jovens às drogas, ao suicídio e a disparar armas sobre outros jovens. Tudo é só estupidez. Até nas ações das quais resultaram melhores condições de vida como proteção contra o desabrigo e a saúde provêm do instinto e não da inteligência porque a anta também evita os dissabores da natureza. A desinteligência materializa-se plenamente na ação de usar o avanço científico para criação de riqueza para poucos em vez de ser usado para o bem comum.

Portanto, apenas a frase do historiador “o homem é uma criatura estúpida” esclarece com mais eficiência do que o livro chatíssimo A Desordem Mundial o porquê da desordem. Assim, passa-se a palavra à juventude, quando houver uma juventude menos estúpida do que atual. Inté.   

 

quarta-feira, 25 de julho de 2018

ARENGA 505


O mundo dos esportes é a parte visível do pão e circo que aparece não só na algazarra que a papagaios de microfone faz em torno da palavra gô, mas também na expressão de alegria assumida por eles e elas quando passam a se referir sobre goleadas. O mundo do pão e circo tem extensão tão ampla quanto a incapacidade da massa bruta de povo em perceber seus tentáculos. Só os hiperbóreos são capazes de perceber o motivo que faz o pai de Neymar ser motivo de notícia na imprensa. Pois é. Por trás disso daí rolam tantas coisas do arco da velha quanto rolam também no fato da papagaiada de microfone demonstrar estupefação ante a morte da estudante brasileira em tiroteio na Nicarágua, enquanto aqui, debaixo das barbas dos papagaios e dos cosméticos das papagaias de microfone muitas pessoas morrem diariamente nas mesmas condições. Assunto sobre o qual a papagaiada de microfone deveria papagaiar é o motivo pelo qual os jovens brasileiros precisam deixar o Brasil. O fato de nada se falar sobre o assunto, por desconhecimento ou pela obrigação imposta pelos donos dos microfones através dos quais a papagaiada orienta a massa bruta quanto o que comprar, onde comprar, que remédio tomar, para onde viajar, em que banco deve ter o rabo esfolado, enfim, como devem agir as pessoas, tudo isto faz parte do pão e circo. A expressão pão e circo significa a anulação da capacidade de raciocinar em virtude de se ter a mente envolvida não só com fantasias como vida depois da morte, Papai Noel, milagres, beijos do Papa no pé do infeliz, mas também com futilidades como a matéria na imprensa cuja manchete é EM BUSCA DA XOXOTA PEERFEITA e assuntos relacionados à viadagem da realeza britânica. O condicionamento mental pelo pão e circo é tão absoluto que não permite uma à mente ocupar-se com os assuntos importantes da vida, tais como o fato de virem os seres humanos desde sempre destruindo o que construíram independentemente dos esforços e gastos na construção. As destruições e reconstruções do suntuoso Templo de Salomão, em Jerusalém, na antiguidade, e os bombardeios atuais são a materialização da louca insensatez humana da qual resulta uma sociedade às avessas porque baseada em competição entre os próprios integrantes da sociedade humana girando eternamente em torno de um mostro denominado economia, definida por Machado de Assis como filha da avareza, no conto A Igreja do Diabo.

No mesmo conto, aliás, ao dizer que do mesmo modo como aconteceu com São Pedro, Cristo, São Paulo, Maomé, enfim, com a cambada da religião, também o Diabo com sua pregação antirreligiosa conquistou inúmeros seguidores, o grande escritor faz referência à estupidez da tendência que têm os seres humanos em se deixar levar por líderes em vez de traçar seu próprio destino. O resultado deste comportamento desinteligente é que do destino traçado pelos seus líderes resultou em milhões e milhões de homens em armas das mais sofisticadas, com gastos monumentais, visando destruição, ao lado de uma pobreza igualmente monumental.

Terá realmente a humanidade de ser tão insensata? Com a palavra, a juventude. Inté.   

 

segunda-feira, 23 de julho de 2018

ARENGA 504


 A imprensa noticia que o governo desperdiça cento e setenta e três bilhões de reais em programas sem retorno. Ora, só uma estupidez lapidar é capaz de ainda imaginar que os governos existem para outra coisa. Aí estão os monumentais palácios onde a vida se assemelha aos contos de fada, os passeios mundo afora e o enriquecimento também noticiado pela imprensa em matéria jornalística cuja manchete era a seguinte: Estão todos ricos, referindo-se esse “todos” aos integrantes do governo. O enriquecimento ou o aumento da riqueza é o motivo pelo qual ricos empresários ocupam cargos públicos. Como a razão de ser da imprensa é falar, falar e falar, a papagaiada de microfone rodopia em torno dos fatos, quando o que se faz necessário é advertir a juventude dos horrores que estarão à espera de seus descendentes a continuar a vida sendo vivida com total indiferença às necessidades dos necessitados, os quais, em relação aos abastados, somam infinita maioria de infelizes descontentes. De acordo com o livro Grandes Batalhas, de Luiz Octavio de Lima, por conta de descontentamento com o modo dos políticos, nada menos do que vinte e uma revoltas ocorrerem no Brasil, tendo por consequência mortes, violência sexual, enfim, sofrimentos. Ante a realidade do atual e justificado descontentamento com a política, não se justifica a indiferença com que a juventude, a maior prejudicada, permaneça fazendo parte da massa bruta de povo interessada apenas no pão e circo, indiferente ao total descaso quanto à necessidade de uma vida digna, o que depende indiscutivelmente de uma política responsável. O descaso com o povo chega ao cúmulo do escárnio quando um deputado propõe que o SUS cobre pelo já péssimo tratamento da saúde dos pobres e a criação de um tribunal de justiça ainda mais conivente com os criminosos ricos do que o STF. O verdadeiro caráter antipovo da política já não precisa mais dos subterfúgios com os quais disfarçava. Atualmente, ministros da mais alta corte de justiça, indiferentes à perigosa insatisfação da massa bruta de povo, juntamente com advogados que ganham rios de dinheiro com o trabalho antissocial de defender ladrões do erário, com escárnio, açulam a ira de uma população indignada e impotente ante tais desmandos.

Foi tudo transformado numa esculhambação tão grande que se faz necessário arrumar tudo antes de ser preciso reconstruir depois de uma inevitável destruição com mortes, violência sexual e muita infelicidade, principalmente para a juventude festiva e indiferente ao dia de amanhã. Erram fragorosamente os seres humanos ao desconhecer a realidade de ser o dinheiro o único responsável pelo bem-estar. No entanto, sendo esta a realidade, pior do que o desperdício do dinheiro público é ser proposital este desperdício. Cada obra pública, em função dos conluios mostrados pela Lava Jato, custa várias vezes o necessário. As tais privatizações são uma forma de desbaratamento dos recursos públicos sob a alegação de que o governo deve ser enxuto. Ao contrário, o governo deve ser gigantesco. Deve ser atribuído ao Estado o nada escapa de uma ação corretiva atribuída a Deus porque é do dinheiro público que depende o bem-estar social do qual depende o bem-estar individual. As privatizações são formas de conluio entre os políticos declaradamente inimigos da população e o empresariado que, por conta da cultura do cada um por si, é também inimigo de uma sociedade livre de injustiça. Para disfarçar a canalhice das privatizações o governo engana a massa bruta de povo criando Agências Reguladoras supostamente encarregas de fazer cumprir fielmente o dever de bem administrar um patrimônio construído com dinheiro do povo e entregue à responsabilidade de Reis Midas disfarçados de empresários que facilmente subornam os funcionários das tais agências e, como os bancos, também esfolam impiedosamente o rabo da massa bruta de povo que, por não pensar, vive justamente para ter o rabo esfolado. É o olho grande no rabo da massa bruta de povo que dá origem à disputa ferrenha dos candidatos por segundos de aparição na televisão. Acostumados a se deixar levar pela mídia, graças ao sistema democrático tido como melhor apenas por ainda não se ter inventado algo melhor, os eleitores votam naquele que aparece mais e têm mais tempo para fingir interesse por uma administração correta através de frases de efeito quando corruptos bradam de dedo em riste ser necessário acabar com a corrupção.

 O único setor da sociedade que poderia chegar à conclusão de ser necessário procurar um sistema menos desinteligente de administração pública, a juventude, o pão e circo fez dela uma massa amorfa de imbecis futucadores de telefone capazes de considerar como seres merecedores de fama e celebridade verdadeiras nulidades intelectuais cujo mundo gira em torno de dinheiro, langerries, calcinhas, cuecas e bundas. No Yahoo, frequentado por jovens, há fartura de tais assuntos. A disputa de unhas e dentes pelo tempo de TV, enfim, é a materialização da realidade de ser a propaganda a arte de explorar a ignorância humana. As propagandas marteladas incessantemente no pé do ouvido da massa bruta de povo faz mentira virar verdade. A propaganda na qual o ator Rodrigo Santoro recomenda ao povo as vantagens do Bradesco materializa esta realidade uma vez que é por falta dos bilhões e bilhões que os banqueiros arrancam da sociedade que, para infelicidade das criancinhas, a violência decorrente da pobreza produzida pela falta desse dinheiro está assumindo contornos de irreversibilidade como afirma o próprio ministro da Segurança Nacional, razão pela qual, em busca de segurança, deixam seu país sessenta e dois por cento de brasileiros imbecis e sem amor-próprio que não têm vergonha de ser mal recebidos pelos presunçosos brutamontes dos países que se consideram civilizados, mas cuja mentalidade é tão rasteira que seus cidadãos se encantam com viadagem de príncipes, e, a fim de não deixar cair a peteca do pão e circo, um deles pagou setenta e cinco milhões de Euros para que um pobre ignorante de sociabilidade procurasse evitar gô para o Liverpool. A tecnologia anulou na juventude a sagacidade que caracteriza o jovem mentalmente sadio e o resultado não será nada bom. Inté.