quinta-feira, 23 de abril de 2020

ARENGA 604


Os assuntos da imprensa em geral, e em particular os do blog Outras Palavras de 17/04/2020, juntamente com o comentário filosófico que diariamente é apresentado na rede Globo, puseram a mente a girar em torno de ponderações a respeito da questão de saber se é realmente impossível à humanidade viver bem ou ela tem necessariamente de viver tão mal como vive. A esta questão junta-se esta outra não menos intrigante em torno do porquê de a filosofia, que se diz arte de pensar, envolver-se com futilidade, assuntos totalmente irrelevantes no que diz respeito à maior aspiração de todo ser vivente e que é a vontade de viver bem. Na verdade, esta questão não é tão difícil de ser compreender. Todo o problema está no fato de ter sido o almejado bem-estar deixado a cargo da política e de ter sido a política transformada em maracutaia por seus executores de forma tão exuberante que vieram as autoridades a fazer com que a sociedade chegasse à conclusão de não poder contar com elas para coisa nenhuma. Mas se é fácil a identificação do problema de não se viver bem, o mesmo não acontece com sua solução por depender de um movimento coletivo inteligente, coisa totalmente descartável por absoluta falta tanto de solidariedade humana quanto de inteligência popular. 

Daí a referência ao programa filosófico da Rede Globo que abre com a afirmação de que pensar bem nos faz bem, o que é, na verdade, uma grande verdade, mas uma verdade que não se apresenta como tal porque se se pensasse bem, estaríamos todos bem. A arte de pensar bem passa anos luz de distância das igrejas, do axé e do futebola onde o povo tem o pensamento, mas um pensamento tão incompatível com a realização do sonho de viver bem que os sábios ensinamentos de Jesus Cristo pregados nas igrejas se comparados com o real comportamento humano foram não só totalmente ignorados, mas também deturpados de forma tão estúpida que foram transformados em rituais ridículos para arrecadação de dinheiro. Se não se sabe ainda o procedimento correto para levar ao viver bem, sabe-se perfeitamente não ser este procedimento que aí está de trocar a natureza por dinheiro. Se não se sabe onde buscar o bem-estar, quem não é um completo asno não pode deixar de perceber não estar nas igrejas, no axé e nem no futebola cuja real finalidade está demonstrada de forma insofismável no livro O Lado Sujo do Futebol, de Amaury Ribeiro e outros.

É impossível não intrigar a quem tenha se livrado da condição de imbecil futucador de telefone diante da conclusão a que se chega ante a realidade de serem os próprios seres humanos que impedem a realização do seu sonho do viver bem. O fato de corresponder um por cento de desmatamento a vinte e três por cento de aumento de doença, dentro de qualquer lógica, em vez de se limitar aos inúteis rogos do papa pela sensatez, deveria causar comoção capaz de fazer cessar o desmatamento. Entretanto, ele segue firme em frente de forma tão brutal que segundo consta da página 122 do livro Capitalismo e Colapso Ambiental, de Luiz Marques, o comércio mundial de madeira gira em torno de cento e cinquenta bilhões de dólares anuais. Portanto, evidente não se estar pensando bem.

Os assuntos de que trata o blog Outras Palavras, escola de alfabetização política, que merecem muita reflexão a respeito, são os seguintes:

1 – A cada 1% de floresta derrubada por ano, a malária aumenta 23%.

2 – Quando um vírus que não fez parte da nossa história evolutiva sai do seu hospedeiro natural e entra no nosso corpo é o caos. Está aí o novo corona vírus esfregando isso na nossa cara.

3 – No caso do novo corona vírus, batizado de Sars-CoV-2, muito antes de infectar os primeiros humanos e viajar a partir da China, abrigado no corpo de viajantes, para outras partes do mundo, ele habitava outros hospedeiros num ambiente selvagem – morcegos, provavelmente.

4 – Se a Amazônia virar uma grande savana, não dá nem para imaginar o que pode sair de lá em termos de doenças.

5 – A crise da pandemia é consequência da ilusão da inutilidade das finanças do consumismo e do poder em contraponto à utilidade da água, alimento, ar, palavra e afeto.

Diante do exposto pela realidade contida nas notícias está a humanidade diante do impasse de não poder abrir mão da natureza e, ao mesmo tempo, de ser necessário que a natureza seja transformada em riqueza para que imbecis possam ostentar fortunas infinitamente superiores às suas reais necessidades. Por que os seres humanos não se empenham em buscar as causas de uma realidade tão estapafurdiamente oposta a qualquer racionalidade, preferindo assuntos chulos sobre “famosos”, “celebridades”, igreja, futebola e futucação de telefone? Cadê um brado retumbante dos homens e mulheres que ostentam o título de intelectuais, filósofos e filósofas contra este estado suicida de coisas?

É de se concluir tristemente ser perda de tempo ler livros. Na página 87 do livro Ciência Política, de Jônatas Luiz M. de Paula, consta que segundo o pensamento de Rogério Bacon a autoridade é fonte do saber. Onde estaria a sabedoria da Inquisição cuja autoridade era tamanha que queimava pessoas e tomava-lhes o que possuíam? E o livro 36 Argumentos Para A Existência de Deus, da filósofa Rebecca Newberger Goldstein, o que dizer de tal livro se todos os argumentos nesse sentido são fruto de completa ignorância ou de muita sabedoria entre aspas, como mostram as imensas fortunas que os representantes de deus mostram na revista Forbes e no Banco do Vaticano?

Efetivamente, não pode o ser humano deixar de viver de modo inferior ao modo de vida dos bichos uma vez que estes além de não serem orientados pela avareza não podem ser considerados estúpidos, porquanto irracionais. Inté.




























quinta-feira, 16 de abril de 2020

ARENGA 603


Se até os anos 1970 o progresso levava à expectativa de um mundo melhor no futuro, aquela esperança veio dar com os burros n’água porque o presente em que se transformou aquele passado é incerto e amedrontador. Estas ponderações confirmadas são do filósofo Franco Berardi, no livro Depois do Futuro. Trata-se de um dos raríssimos pensadores que se ligam na questão da qualidade de nossa vida material, questão esta que devia interessar a tantos quantos escapem da condição mental de asno completo.

A situação em que se encontra o mundo chama a atenção para o que disse Karl Max, que apesar de excomungado pelos frequentadores de igreja, axé e futebola, prestou um grande serviço a estes imbecis admiradores de toupeiras mentais colocados na conta de “famosos” e “celebridades”. Tivessem os panacas do passado parado para refletir sobre a advertência do filósofo excomungado avisando-os de que os filósofos se limitam a analisar o mundo em vez de cuidarem de modificar o mundo não estariam agora seus descendentes sendo vítimas desta pandemia que encabeça a fila de muitas outras pandemias à espera da vez de atacar. E tudo isto como resultado da preferência por orações em vez de ciência, orientação proveniente de ordens dos ricos donos do mundo que resultaram no Massacre de Manguinhos, quando uma dezena de cientistas foram defenestrados de suas pesquisas e demitidos pelo governo militar que em 1964 se empoleiraram no bem-bom do poder, cumprindo ordens de seus religiosos patrões americanos alegando agir em defesa de Deus, Pátria, Família e Propriedade.

Mas, como as coisas ruins têm o mérito de mostrar a necessidade de serem descartadas, o presente ruim mostra com todas as letras que o equilíbrio social precisa trocar por outra a base de sustentação fundamentada no compra-compra desembestado a custo da destruição da natureza. Portanto, a humanidade também dará com os burros n’água se não deixar de lado os parâmetros que vêm norteando o caminho seguido até o presente.

Os bilhões de problemas que alimentam durante as vinte e quatro de cada dia o disse-me-disse cansativo da papagaiada de microfone resumem-se, na verdade, em um só problema: não poder a humanidade contar com um grupo composto de pessoas íntegras o bastante e em número suficiente que possam integrar um corpo administrativo do qual nenhuma sociedade conseguiu ainda dispensar para tomar conta de empregar os recursos públicos no objetivo de assegurar a ordem sem a qual é impossível a vida coletiva resultante do ajuntamento de seres tão bárbaros como ainda são os seres humanos, incapazes da compreensão do que vem a ser vida social, no que em absolutamente nada diferem dos irracionais.

A inexistência de homens probos decorre do fato de absolutamente todos os seres humanos serem totalmente dominados por dois instintos: o de pavão que se mostra em todo esplendor na figura dos Midas do mundo e que dá origem à necessidade de fazer pose na revista Forbes como os mais ricos do mundo, e o instinto de rato para assegurar o cumprimento do instinto de pavão. Esta situação torna evidente a impossibilidade de ter alguém em suas mãos um tesouro sem que venha a ser levado a lançar mão dele indevidamente. Daí a existência da corrupção que inviabiliza qualquer administração pública, regra da qual não escapa nenhuma administração pública do mundo. Aquelas sociedades cujos integrantes se imaginam isentas desta regra deve-se à ingenuidade que caracteriza os seres humanos e que aparece com todas as letras na dependência que têm de liderança para pensar por eles. A história humana mostra a facilidade com que pessoas sempre se agruparam em volta de profetas, messias, qualquer fanático esmolambado que se lhes apresentasse com novidades para se chegar à tão sonhada felicidade. Inexplicável é que esta situação do passado continua no presente de igrejas abarrotadas de cegos mentais à espera de quem (geralmente espertalhões) lhes diga o que fazer. Estúpidos que são, não sabem que a tão buscada felicidade nada mais é do que a possibilidade de se poder satisfazer as necessidades e que isto só depende de um correto direcionamento de gastos públicos voltados para um sistema educacional que em vez de ensinar às crianças a necessidade de deus e riqueza lhes ensine que não podem viver senão em grupos e da imprescindibilidade de se cuidar da vida social tanto quanto se cuida da vida individual, o que inclui a garantia de que todos os membros da sociedade vivam com dignidade.

Daí a sabedoria contida na advertência do filósofo excomungado pelos frequentados de igreja quanto a necessidade de mudar o mundo porque uma olhada de soslaio pela História basta para concluir da impossibilidade de virem os recursos públicos a serem aplicados corretamente. Um exemplo: na página 35 do livro A Coroa, a Cruz e a Espada, de Eduardo Bueno, consta o seguinte sobre a administração pública de Portugal por ocasião da mudança de administração no Brasil de Capitanias para Governo Geral: “A Casa de Suplicação (tribunal de última instância), permanentemente sobrecarregada de processos, era famosa pela lerdeza e avareza de seus magistrados. Já a Casa dos Contos, núcleo de controle das receitas e despesas do reino, era alvo frequente de investigações oficiais, geralmente incapazes de evitar as fugas de prestação de contas à Fazenda...”.

É totalmente admissível que o mesmo continua ocorrendo no presente. Os instintos de pavão e de rato fazem a corrupção sofisticar a fim de fugir da percepção os babacas de sempre. As prestações de conta hoje provam que o dinheiro desviado para o bolso de alguém está aplicado em estradas, saúde, educação, segurança. Inté.  


domingo, 12 de abril de 2020

ARENGA 602


A História da Filosofia mostra como o estudo da filosofia é de total inutilidade e desperdício de tempo do ponto de vista do primeiríssimo princípio que deve orientar a humanidade e que é o agir no sentido de se viver da melhor maneira possível em vez de se viver da pior maneira possível como se vive. Tratando-se de seres capazes de raciocinar o viver bem deveria vir em primeiro lugar. Mas os livros de filosofia em absolutamente nada contribuem nesse sentido. O mais recente que adquiri, A HISTÓRIA DA FILOSOFIA, de James Garvey e Jeremy Stangroom, apesar da ótima encadernação e beleza exterior, em nenhuma das 384 páginas existe uma só palavra de orientação para os procedimentos indispensáveis para que se posse viver harmoniosamente em coletividade. Apesar do exagero, pode-se dizer que nesse sentido é uma inutilidade. Na página 179 consta que na Súmula Teológica de Tomás de Aquino há 358 perguntas e respostas sobre anjos. Nas livrarias podem ser encontrados verdadeiros tratados sobre a questão de se saber se Jesus Cristo é deus ou se não é, e não menos é a especulação sobre a gravidez de Maria desse filho sendo ela virgem e se continuou virgem na gravidez dos outros filhos.

 Pensadores desperdiçam seus pensamentos discorrendo enfadonhamente sobre o que pensou fulano, o que disse beltrano, inclusive sobre assuntos mitológicos envolvendo a figura de deus. Quando Nietzsche afirmou que deus morreu, certamente se referia à ideia de deus porque aquilo que não existe não pode morrer. Se a ideia de deus ainda não morreu, para o bem da humanidade precisa morrer. Por meio da proibição de se questionar os mistérios divinos a religiosidade procura a todo custo inibir a capacidade de raciocinar, razão pela qual Nietzsche comparou a religiosidade à feiticeira Circe da Odisseia, que transformou homens em nos irracionais porcos. A obediência cega exigida por deus faz o ser humano se aproximar da irracionalidade dos irracionais, daí a comparação do genial filósofo do bigodão. Na página 45 do livro Uma Breve História da Riqueza, de William J. Bernstein há um bom exemplo da ojeriza que tem a religiosidade a tudo que se relacione com a evolução mental: “... A ideia de que camponeses quase analfabetos pudessem ler e discutir a Bíblia era repulsiva para o clero, pois tudo o que se esperava de 90% da população era analfabetismo e obediência cega”.  Nutrindo-se da ignorância, a religiosidade refuta o conhecimento a que leva inevitavelmente o ato de raciocinar. É justamente a incapacidade de raciocinar que sustenta a ideia de deus. Se não fosse incutida nas crianças inocentes tal ideia não existiria a figura de deus em mente alguma.

Todavia, como os seres humanos são movidos por informações que lhes chegam de fora, espertalhões se aproveitam da curiosidade e infantilidade que caracterizam o ser humano e o induz a acreditarem em coisas totalmente inverossímeis tais como numa proteção para quem for salpicado com água benta. Esta crença era comum entre os povos ainda mais inocentes e bárbaros do que os povos atuais quando em vez de água benta aspergiam sangue de animais ou, conforme a importância da cerimônia, de membros do próprio grupo que prazerosamente se ofereciam para morrer e ir gozar as delícias da vida depois da morte com a qual também contam as pessoas atuais, embora atualmente ninguém aceitaria ser enviado para lá espontaneamente.

Daí a necessidade de se encarar a realidade o assunto sobre o qual devem os filósofos se debruçar porque se viver bem é a aspiração de cada ser humano, tal objetivo jamais será alcançado enquanto não for buscado em vez de esperar que venha de líderes políticos ou religiosos, todos, absolutamente todos, preocupados com seu próprio bem-estar, haja vista a qualidade de vida deles e de seus inocentes e ardorosos liderados. Os sindicatos são exemplo da bobagem que é contar com líderes. Criados para ajudar os trabalhadores na luta contra a brutal opressão dos empregadores lá nos inícios da Revolução Industrial, vieram a se tornar meio de enriquecimento dos líderes sindicais. Inté.




domingo, 5 de abril de 2020

ARENGA 601


INVESTIGAÇÃO SOBRE FILHO DE LULA VAI PARA VARA DE JUIZ ANTI-LAVA JATO E FAVORÁVEL À DEFESA DO PETISTA.  Esta notícia na imprensa é uma aberração do ponto de vista do ordenamento jurídico. Entretanto, apesar do inusitado, nem esta e nem outras notícias desse tipo causam indignação na opinião pública preocupada exclusivamente com vulgaridades. Assuntos que dizem respeito ao futuro dos descendentes passam longe do interesse da massa bruta de povo que certamente está cuidando da fantasia do próximo carnaval ou qual a oração mais eficiente contra a doença. Daí que não é só um grande número de igrejas e farmácias, (uma em cada esquina no Brasil), que denunciam o baixo nível mental de um povo. Também o conteúdo das notícias na imprensa denuncia o baixíssimo nível mental deste povo brasileiro de triste memória que é ainda mais povo do que qualquer outro povo do mundo. A notícia acima, por exemplo, apesar de irrelevante para o povo, revela o seguinte impasse: se a imparcialidade dos magistrados é requisito indispensável no julgamento, esta notícia dando conta de ser o juiz favorável ao acusado dispensa totalmente o julgamento por já ter sido previamente anunciado seu resultado. Evitando o julgamento “faz-de-conta” ou de brincadeirinha, evita-se o custo para a sociedade. Este é o retrato do Brasil e do povo brasileiro cuja qualidade é tão inferior que moradores de apartamentos não podem voltar sua atenção para leitura porque são atropelados por tropel semelhante ao de cavalos e arrastar de móveis vindos de apartamentos vizinhos, comportamento semelhante ao de irracionais indiferentes à presença de pessoas no cumprimento de suas necessidades.

Outra notícia que traz dentro de si um mundo de inconsequências sociais é a do congelamento de salários dos empregados sugerida pelo ministro milionário Paulo Guedes diante da crise causada pela doença que apavora o mundo, embora sejam os ricos os responsáveis pelo mal em função da ganância de riqueza que fez inviabilizar a vida no planeta. Desta forma, são eles, os ricos, que devem arcar com o sacrifício. Mas o que se tem é que o ministro joga no lombo dos já desgraçados assalariados o peso da responsabilidade por tamanho custo, como se a doença fosse diminuir as despesas dos pobres em vez de aumentá-las. Não é à toa que o historiador Edward Mc Nall Burns diz na página 530 do primeiro volume de História da Civilização Ocidental que os governos despóticos substituíram as obrigações feudais por tributação. Embora os frequentadores de igreja, axé e futebola ignorem, o servilismo caracteriza a sociedade contemporânea do mesmo modo que era a característica da Idade Média.

Outra notícia também reveladora do fabuloso índice de ignorância pública é a de ter a “celebridade“ Xuxa doado um milhão de reais ao SUS para ajudar no combate à doença. O caráter positivo que pobres coitados mentais encontram nesta notícia decorre da incapacidade de alcançarem a realidades e viverem num mundo de falsidades. As circunstâncias pelas quais as ridículas “celebridades” se tornam riquíssimas significam desperdício do dinheiro usado pelo pão e circo para remunerar regiamente suas marionetes. Toda a dificuldade monetária, além do mau uso, decorre também e principalmente do direito absurdo que permite aos Reis Midas do mundo o contrassenso social materializado no direito contrário ao bom senso e contrário à sociabilidade de ajuntarem imensas fortunas individuais. Tanto está errado ser permitido a grande riqueza individual como também a vida folgazã das marionetes do pão e circo, as inúteis “celebridades” uma vez que o dinheiro para estas inutilidades tanto quanto para os Midas, principalmente os dos bancos, é tirado da sociedade, Dinheiro, além de não dar em árvores, esse é um dinheiro que vai deixar de atender as necessidades comunitárias e passa a ter a única função de servir para que pobres diabos mentais ostentem um orgulho na verdade ridículo porque a ignorância social dessa gente pobre de espírito e rica de dinheiro não lhes permite enxergar nada além do próprio nariz empinado por se acharem realmente importantes quando, na realidade, são extremamente prejudiciais ao grupo que forma a sociedade humana.

Embora tal cultura existe desde que se tem notícia de sociedade humana no mundo, modernamente a cultura do ajuntamento de riqueza particular é conhecida por neoliberalismo, cultura tão antissocial que em matéria publicada no jornal Le Monde Diplomatique Brasil, a filósofa Nancy Fraser afirma não mais se legitimar o neoliberalismo que orienta os governos ditos democráticos que administram a maior parte da população do mundo.

Mais uma notícia reveladora de a quantas anda o atraso mental do brasileiro é a notícia de haver gente censurando o ministro Ricardo Lewandowski por ter sido contra a liberação ainda mais generalizada dos venenos do agribiuzinesse. Ora, se o Brasil, subserviente como tem sido desde suas origens, tem permitido o uso indiscriminado de venenos na agricultura do agribiuzinesse produtor de cânceres, absolutamente nada justifica a insensatez ou burrice de censurar o ministro Lewandowski por ter tomado talvez a única decisão que beneficia em vez de prejudicar a sociedade como é de seu feitio. Já Thomas Paine advertia que os male sociais ficam ainda mais insuportáveis quando resultam da ação de quem tem o dever de evita-los. Se aquele ministro efetivamente tem demonstrado usar do cargo para interesses escusos, a atitude de proibir o uso alarmante de veneno para satisfazer a sede incontida de riqueza dos ricos do agribiuzinesse merece aplauso em vez de condenação.

A enganação que envolve a humanidade não teve início com Maquiavel, como se supõe. Ele apenas tornou púbico um fato que vem desde que no mundo existe sociedade humana e notícia da magia dos feiticeiros que interpretavam nas tribos primitivas a vontade do “corpo sombra” (mortos que apareciam em sonhos). Daí, evoluiu para a enganação que fazia crer haver um deus em cada rei. Mais tarde, passou pela necessidade de deixar fortunas a cargo de sacerdotes a fim de que estes provessem na vida depois da morte as necessidades materiais das almas dos mortos. Evoluiu para a enganação da venda que o papa fazia de passagens para desfrutar das delícias do reino celeste ao lado de deus por meio do comercio das indulgências. Depois, pelo comércio na Idade Média da madeira da cruz em que teria sido crucificado Jesus Cristo, que segundo o historiador Edward McNall Burns a igreja vendeu quantidade suficiente para construir um navio. Continua, modernamente, com a venda de interpretação da vontade de deus pelos representantes dele nos estabelecimentos comerciais denominados templos religiosos cuja participação na má política dos maus políticos é recompensada com isenção de imposto sobre suas imensas fortunas.

Como mais cedo ou mais tarde a verdade aparece inexoravelmente, perde força a cultura implantada pelos meios de comunicação a serviço dos Midas no cérebro dos seres humanos que os convence de estar certo o que está errado como por exemplo deixar seu destino a cargo de terceiros e envolver-se unicamente na tarefa de produzir os recursos necessários à sociedade além de prover com prodigalidade as necessidades dos seus enganadores.

Não é menos condenável a indiferença dos intelectuais quanto ao verdadeiro problema que aflige a humanidade: não só a necessidade de combater a ojeriza às atividades meditativas entre os jovens, mais também deixarem os intelectuais também se envolver nos embustes. Na página 188 do livro Homo Deus, do intelectualíssimo Yuval Harari está dito não ser verdade que a religião seja superstição. Como não ser superstição a religião? Tamanha inconsequência tem como resultado confundir em vez de esclarecer. Se superstição é crença na existência do inexistente, não há como distingui-la da religião porque todas as religiões afirmam a existência de um deus que nunca existiu. Inté.      












sexta-feira, 27 de março de 2020

ARENGA 600


Não tem limite o ridículo a que chegam estas figuras socialmente execráveis eleitos pela imprensa "famosos" e "celebridades". Entretanto, cabe uma pergunta: Quem é mais tola nessa história, estes mendigos mentais ricos de dinheiro ou a sociedade que lhes valoriza e enriquece e transfere para eles o dinheiro que lhe falta?



Diz a história que o pensador Sócrates estimulava o raciocínio das pessoas estimulando-as a pensar sobre as respostas das perguntas que lhes fazia. Considerando a realidade de que uma pergunta estimula mais a reflexão do que uma afirmação pura e simples, aqueles intelectuais não cooptados pela prostituição da consciência que vendem suas opiniões, mas que estão realmente interessados numa sociedade menos infeliz, em vez de escreverem “Best Sellers” que em nada contribuem no que diz respeito ao desenvolvimento da compreensão do que seja viver em sociedade, deveriam estes intelectuais procurar levar a massa bruta de povo à reflexão por meio de perguntas por exemplo:

O que há por trás dessa história de tanto apreço a pessoas aculturadas?

O que leva adultos a se comportarem como crianças para quem as brincadeiras são mais importantes do que os assuntos sérios e conversam com bonecos nas igrejas?

Não se deve buscar uma forma de administração pública diferente desta de não participar das decisões sobre o destino do dinheiro dos impostos?

Serão as autoridades suficientemente honestas para aplicarem corretamente o dinheiro público?

Por que Nietzsche a comparou a religiosidade à feiticeira Circe que transformou seres humanos em porcos (irracionais)?

Teria a vida no mundo se tornado inviável ao se tornar depende do consumismo que, por sua vez, é a ruína do mundo?

Estaria Malthus realmente equivocado se a população cresce desmedidamente enquanto a água diminui a cada dia?

 

Para justificar a pecha de estúpidos os que lhes atribui o historiador Henry Thomas em História da Raça Humana, os seres humanos isolaram-se uns dos outros. Mas como não podiam fazer isso por serem obrigados a viver justos, procuraram substituir a companha de seus iguais por animais de outras espécies, inclusive feras perigosas. Trouxeram bichos para as cidades e levaram muitos deles para dentro de suas casas, dividindo com eles a mesa, os filhos e a cama. Como animais são transmissores de doenças para os humanos, estão pagando o preço justo pelo duplo desatino de se juntar a animais e de proliferar como ratos porque isto facilita a transmissão das doenças de uma pessoa para outra. Inté.

quarta-feira, 18 de março de 2020

ARENGA 599


A democracia, apesar de endeusada pelos comentaristas de politicagem, é um sistema extremamente falho. Ao deixar a cargo do elemento povo, totalmente destituído de discernimento, a responsabilidade da escolha dos governantes, resulta que mandatários ladravazes sejam reconduzidos ao cargo quantas vezes se apresentem perante a massa popular facilmente enganável de eleitores. Chega a ser intrigante a facilidade com que a humanidade se deixa levar ao sabor da vontade de quem quer que tenha facilidade de se expressar. A História nos dá notícia de como fanáticos arrastaram multidões atrás de si, o que acontece ainda com a louvação ao consumismo. Veja-se, por exemplo, esta propaganda na imprensa: Calcinha e sutiã aparecendo em vestido de R$ 25 mil: veja look de Marina Ruy Barbosa. E as pessoas se sentem importantes por serem versáteis em tais assuntos. Os ridículos “famosos” e “celebridades” acham-se realmente famosos e célebres. A propaganda convence as pessoas a concordarem com os maiores disparates, razão pela qual disse um pensador que a propaganda é a arte de explorar a estupidez humana.





A nobreza espiritual do homem está ainda tão aquém do mínimo desejável que a renúncia de político acusado de corrupção é tida como gesto de nobreza. No entanto, nobreza haveria se o acusado se mantivesse firme no cargo e no propósito de provar ter sido caluniado e promovido a punição exemplar do caluniador.



O nível de civilidade do brasileiro está tão longe do desejável que recolher excremento de cachorro na rua é prova de refinada educação e motivo de orgulho até para doutores.



A política assumiu caráter tão oposto àquele a que deve assumir que representantes do povo se locupletam com dinheiro público e se auto protegem da ação da lei antirroubo por eles promulgada por meio de um colete à prova de punição denominado imunidade parlamentar.



Povo é tão desprovido de vontade própria que se tornou propriedade de uma classe política afeita aos ensinamentos de Maquiavel, segundos os quais o governante deve sufocar em si o homem e desenvolver a besta. (Página 349 de História da Raça Humana, de Henry Thomas).



A humanidade vive uma falsidade tão absurda que a sociedade humana eleva à categoria de celebridades pessoas totalmente desprovidas de intelectualidade, transformando-as em inocentes parasitas sociais, acreditando-se serem merecedoras da fama e da celebridade com que são rotuladas pela papagaiada de microfone a saldo do pão e circo. Por outro lado, também insensatamente, a humanidade persegue ou relega ao ostracismo personalidades que se dedicam a lutar por uma sociedade mais condizente com a dignidade que deveria caracterizar o comportamento humano, despontando entre elas Carl Marx que só errou ao contar que o povo festeiro e incapaz de raciocinar usasse seu poder físico na luta contra a injustiça social. Entretanto, Marx não deixa de estar correto quando afirma que os filósofos se limitam a analisar o mundo em vez de procurar transformá-lo. Isto é de uma sensatez extraordinária porque no mundo ocorrem aberrações como a do capítulo quinto do livro Capitalismo Criminoso mostrando uma riqueza imensurável do filho de um governante de um país africano que apesar de paupérrimo a abundância de petróleo faz dele um dos países mais ricos da região, com um PIB per capta de vinte e quatro mil dólares, embora o povo vive com apenas um dólar por dia e onde é altíssima a mortalidade infantil. A seguir assim, caso o mundo não seja transformado através de ação inteligente, será pela brutalidade do sentimento de violência que a necessidade fará um dia explodir nos necessitados de tudo.



Quando economistas afirmam que determinado banco quebrou, dá impressão que aconteceu o que acontece quando um comerciante honesto fracassa em sua atividade e se vê impossibilitado de cumprir seus compromissos, situação diante da qual muitos deles chegam a cometer suicídio. Com os bancos ou outros empresários desonestos como são todos os bilionários uma vez que não se pode ser bilionário honestamente, acontece o contrário. A palavra quebrou, no caso de desonestos como os banqueiros, deve estar entre aspas porque esta quebra, na verdade, é mais uma falcatrua das muitas perpetradas pelos bancos na sanha de enriquecimento. Da “armação” que os economistas chamam de quebra resulta lucro em vez de prejuízo. No livro Capitalismo Criminoso, na página 261, o autor, Stephen Platt, coloca aspas quando diz que o “Lehman Brothers Holding Inc. “quebrou”, com dívidas de US$613 bilhões”. Diferentemente do empresário honesto que fica arruinado quando quebra, os desonestos como os banqueiros ficam ainda mais ricos porque os bancos são uma excrescência social compatível com a excrescência de uma economia voltada para tirar do pobre e dar ao rico. Quando algum motivo impede que um banco não consiga continuar arrancando do lombo dos frequentadores de igreja, axé e futebola os bilhões a que estava acostumado a arrancar, arma-se a “quebra” com suporte do sistema bancário internacional porque é uma confraria criminosa mundial. Os governos participam da falcatrua porque os governantes não passam de paus-mandados dos ricos donos do mundo. No mesmo capítulo 11, página 161, Stephen Platt diz que em consequência da “quebra” do Lehman governos de muitos países injetaram trilhões de dólares no sistema financeiro mundial para normalizar a situação.

Como dinheiro que os governos manipulam é dinheiro do povo, resulta que, como sempre, a conta foi paga pelos babacas festeiros do mundo inteiro, não obstante a pompa com que eles se apresentam diante da comunidade internacional de babacas como CIVILIZADOS. Esta civilidade, entretanto, deve também estar entre aspas porque equivale à “fama” e à “celebridade” atribuída em função do tamanho da bunda, dos peitos, habilidade das pernas para jogar bola ou fazer-se passar por cantor.



Por em prática a necessidade desnecessária de acumular bens em quantidade infinitamente além da capacidade de consumir é a fonte de todos os males da humanidade compostas de seres tão estúpidos que são incapazes de perceber a sutileza de coisas como a expressão que diz estar na diminuição da necessidade o aumento da felicidade. Inté.



    

domingo, 2 de fevereiro de 2020

ARENGA 598


Não é perda de tempo sonhar com um mundo melhor, não obstante as perspectivas funestas para o futuro como consequência da crença errônea de ser possível viverem as pessoas isoladas da natureza e entre si mesmas. Se a única maneira de realizar um sonho é trabalhando, justifica-se remoer argumentações a respeito da necessidade de se levar uma vida sem os dissabores com os quais os seres humanos convivem cotidiana e pacificamente como se fossem inevitáveis. Existe uma tristeza que provem do saber atribuída aos grandes sábios, mas que não acontece apenas com eles porque é entristecedor a qualquer pessoa que se disponha a meditar porque chegará inevitavelmente à conclusão de que as demais pessoas em volta são irracionais, seres inferiores, e, como tais, de companhia desagradável por viverem num mundo de futilidades sem relação alguma com a realidade da vida. É irracional o comportamento de quem encara a vida como um interminável folguedo uma vez que o vigor físico necessário às brincadeiras cegará inevitavelmente ao fim. O elemento povo, não obstante a realidade de ser o responsável pelo destino da coletividade vista que de acordo com a cultura democrática a maioria escolhe os responsáveis pela administração pública, e a maioria é constituída do elemento não pensante povo, disto resulta serem escolhidos os piores que são justamente aqueles com maior capacidade de enganar o povo sem discernimento, resultando daí falsos e insensatos líderes orientando como devem proceder as pessoas sensatas que sabem perfeitamente não haver necessidade haver necessitados no mundo porque há nele recursos materiais suficientes para satisfazer as necessidades de todos desde que haja uma ação política visando o bem coletivo em vez de apenas o bem de alguns gatos pingados como sempre foi o objetivo de toda administração pública em qualquer lugar do mundo.

É entristecedor constatar a realidade de ter a humanidade se arrumado de modo tão desarrumado que poucas pessoas se apossaram indevidamente do que não lhes pertence, deixando à mingua todas as demais pessoas cujas necessidades as levam às ações que os verdadeiros ladrões denominam de roubo e procuram reprimir com força policial.  Papagaios de microfone são unânimes em condenar as agressões ao deito de propriedade indiferentes à origem, à formação ilegal daquela propriedade. Considerando que as necessidades são comuns a absolutamente todos os seres humanos, se é crime tirar um pouco de quem tem milhares de vezes aquilo de que necessita, é crime ainda maior tirar de alguém tudo aquilo de que ele necessita.

Tendo em vista que as ocupações com as quais se envolvem os seres humanos se reduzam às futilidades de ajuntar riqueza e fazer orações, tornam inúteis suas vidas porque se houvesse vantagem em ajuntar riqueza os paulistanos seriam entre nós um povo feliz em vez de atormentado pelo medo das secas, das enchentes, das balas perdidas, dos moradores de rua, das doenças provenientes da aglomeração que a riqueza atrai, dos desassistidos e de ser inevitável comer, beber e respirar veneno e bosta.

Tão inútil quanto o hábito de ajuntar riqueza é o de fazer orações porque de nada adiantam os apelos do Papa em prol da paz e fraternidade.

É necessário que de algum lugar surja uma voz de sensatez que chame à atenção dos frívolos seres humanos para a realidade de viverem eternamente o erro gravíssimo de se deixar levar por falsos líderes em conluio com os ladrões que se apossaram indevidamente dos bens necessários a toda a coletividade, os denominados ricos e poderosos, na verdade brutamontes mentais tão ignorantes que acreditam em mundinhos privados e isolados do resto da comunidade doente, deseducada e violenta. Inté.