segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

ARENGA 771

 

De passagem aqui pela Wikipédia vejo que o filósofo Humberto Eco abandonou a religião para ser ateu. Como entender os intelectuais? Vejo também dito lá, em inglês, que o intelectual G.K. Chesterton foi o melhor escritor do século XX. Ele disse algo sobre tudo. E o disse melhor do que ninguém mais. No entanto, na página 33 do livro Os Donos do Mundo, de Cristina Martín Giménez, o seguinte pensamento deste mesmo tão grandioso escritor: “Quando o homem deixa de acreditar em deus, pode crer em qualquer coisa”. Ora, a verdade é o oposto do que pensa o intelectual porque para se acreditar em deus é preciso ser alguém que acredita em qualquer coisa. Não se nasce acreditando em deus, mas passa-se a acreditar por influência da educação religiosa. Na página 25 do mesmo livro. Outra citação, de Honoré de Balzac, que diz o seguinte: “Existem duas histórias: a oficial, mentirosa, aquela que nos ensinam; e a história secreta, na qual se encontram as verdadeiras causas dos acontecimentos, uma história vergonhosa”.

Por ser vergonhosa a história das religiosidades é que o filósofo Humberto Eco se tornou ateu. Mas parece ter demorado até perceber que a crendice é fruto da falta de conhecimento que fazia nossos ancestrais orar par o espírito de rio que ia atravessar.  vítima da mesma crendice que vitima as pessoas que dão dinheiro ao pastor em troca de um lugarzinho no céu. É tamanha a falta lógica desse negócio de religião – e um negócio tão lucrativo que rende até barras de ouro, e tudo livre de imposto – que na página 11 do livro Homo Deus, de Yuval Noah Harari, consta que muitos pensadores e profetas concluíram que a fome, a peste e a guerra devem fazer parte do plano cósmico de deus. A ser assim, não seria necessário varrer deus da face dos céus?

Mas a humanidade é tão queixo-duro que um diretor do Fundo Monetário Internacional se chamava Rodrigo Rato.

     

domingo, 15 de dezembro de 2024

ARENGA 770

 

A humanidade está organizada de modo a impossibilitar o desenvolvimento espiritual que possibilite chegar a uma sociedade civilidade. Se, como disse mestre Platão, acertadamente, que da educação ministrada às crianças resultam as personalidades dos adultos, o que aprendemos em criança são apenas mentiras e mais mentiras tendo por carros-chefe religiosidade e enriquecimento. É por acreditar ser o enriquecimento o mérito maior que se deve ter em vista, que ninguém faz nada em benefício de sua sociedade. Se alguém descobre algo que beneficia a sociedade, a ideia de riqueza é que prevalece. A falsa ideia de não ter motivo para se preocupar com vida social é a regra que prevalece entre os seres humanos, no entanto, sem que haja bem-estar coletivo também não há para as pessoas individualmente porque os indivíduos não podem estar bem se a sociedade estiver mal como acontece se a riqueza coletiva estiver sem usada para benefício de poucos e não de todos. É algo tão simples que os economistas a serviço da cultura da riqueza privada complicam intencionalmente. Se no mundo não há riqueza bastante para que sejamos todos ricos, é insensato que apenas alguns sejam exageradamente ricos porque o excesso de riqueza de poucos tem por consequência a falta de riqueza para muitos. Como pessoas levadas ao desespero pela carência reagem desesperadamente, do acúmulo de riqueza privada resulta em desestabilizar a vida social justificando a afirmação de Thomas Hobbes de ser o homem o lobo de si mesmo.

Como se vê, os seres humanos vivem independe de ações inteligentes resultantes de momentos de reflexão. Não obstante dotados de inteligência bastante para ir ao fundo do mar e às alturas do céu os seres humanos vivem por viver, como os irracionais. E pode parecer implicância de ateu, mas com a proibição de se discutir os mistérios de deus, a religiosidade contribui grandemente com o hábito nocivo da desnecessidade do raciocínio, artimanha com a qual procura fugir da impossibilidade de justificar os absurdos com os quais ilude o povo.   

 

 

 

 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

ARENGA 769

 

Até medidas governamentais em nosso belo, mas de triste sorte Brasil são ridículas: PACOTE que lembra o conto do paco e os pacotes de Geddel e de Sérgio Cabral. Nada será capaz de levar nosso Brasil a pôr termo à deslavada corrupção em que se encontram mergulhadas nossas instituições. É impossível haver alguém de qualquer lugar que não conheça um prefeito que entrou pobre na prefeitura e saiu de lá rico ou riquíssimo. Esse modo de proceder lembra Platão. Antes que alguém diga que estou maluco, lembro que aquele filósofo disse que a personalidade do adulto depende do que foi ensinado à criança. Sendo assim, o que aprendeu a criança Brasil, segundo Laurentino Gomes no livro 1808, páginas 188 e 189, quando da chegada da corte portuguesa escorraçada do Portugal pelo baixinho encapetado Napoleão Bonaparte, realmente bom na arte de guerrear em busca de poder, ignorando que outros poderosos antes dele viraram comida de germes e outros depois dele também terão o mesmo destino. Vejamos, então, que o tipo de educação recebida pela criança Brasil só poderia mesmo formar personalidades como as que temos. Diz o jornalista e historiador:

“A corte chegou ao Brasil empobrecida, destituída e necessitada de tudo. Já estava falida quando deixara Lisboa, mas a situação se agravou ainda mais no Rio de Janeiro. Deve-se lembrar que entre 10.000 e 15.000 portugueses atravessaram o Atlântico junto com D. João. Para se ter uma ideia do isso significava, basta levar em conta que, ao mudar a sede do governo dos Estados Unidos da Filadélfia para a recém-construída Washington, em 1800, o presidente John Adams transferiu para a nova capital cerca de 1.800 funcionários. Ou seja, a corte portuguesa no Brasil era entre 10 e 15 vezes mais gorda do que a máquina burocrática americana nessa época (daí nossas dezenas de ministérios – grifo nosso – . E todos dependiam do erário real ou esperavam do príncipe regente algum benefício pelo “sacrifício” da viagem – outro grifo nosso: quando D. João chegou aqui, em 1808, não era ainda rei. A mãe dele, D. Maria I, é que era a titular do trono visto que o filho mais velho D. José morreu de varíola porque a beata sua mão não consentiu que fosse imunizado –. Continua Laurentino Gomes: “Um enxame de aventureiros, necessitados e sem princípios, acompanhou a família real”, notou o historiador John Armitage. “Os novos hóspedes pouco se interessavam pela prosperidade do Brasil. Consideravam temporária a sua ausência de Portugal e propunham-se a enriquecer à custa do Estado do que administrar justiça ou a beneficiar o público”.

O historiador Luiz Felipe Alencastro conta que, além da família real, 276 fidalgos e dignitários régios recebiam verba anual de custeio e representação, paga em moedas de ouro e prata retirada do tesouro real do Rio de Janeiro. Com base nos relatos do inglês John Luccok, Alencastro acrescenta a esse número mais 2.000 funcionários reais e indivíduos exercendo funções relacionadas à coroa, setecentos padres, quinhentos advogados, duzentos praticantes de medicina e entre 4.000 e 5.000 militares. Um dos padres recebia um salário fixo anual de 250.000 réis só para confessar a rainha. “Poucas cortes européias têm tantas pessoas ligadas a ela quanto a brasileira, incluindo fidalgos eclesiásticos e oficiais”, escreveu o cônsul inglês James Henderson. Ao visitar as cocheiras da Quinta da Boa Vista, onde D. João morava, Henderson se surpreendeu com o número de animais e, principalmente, de serviçais ali empregados. Eram trezentas mulas e cavalos, com o dobro do número de pessoas para cuidar deles do que seria necessário na Inglaterra.

Era uma corte perdulária e voraz. Em 1820, ano anterior ao retorno a Portugal, consumia 513 galinhas, frangos, pombos e perus e noventa dúzias de ovos por dia. Eram quase 200.000 aves e 33.000 dúzias de ovos por ano, que custavam cerca 900 contos de réis” ... “A corrupção medrava escandalosa e tanto contribuía para aumentar as despesas, como contribuía o contrabando para diminuir as rendas”.

Lá, Cabral e Geddel se chamavam Azevedo e Targini, que deram origem ao seguinte verso:

Furta Azevedo no Paço

Targini rouba no erário

E o povo aflito carrega

Pesada cruz ao Calvário.

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

ARENGA 768

 

Se é que existe mais alguém que tenha tomado conhecimento do caráter do general Charles de Gaulle, presidente da França, não tem motivo de rancor por ter aquele monumento de honradez dito que o Brasil não é um país sério. A estas alturas, de onde estiver, De Gaulle deve ter chamado atenção de seus companheiros próximos, apontado para o Brasil, e dito o seguinte: “Olha lá! Olha lá! O que foi que eu disse?”. E ao constatarem também os demais o que diz o noticiário da imprensa, todos caíram em largas gargalhadas. Imagem que a imprensa está noticiando que a polícia cumpre mandado de prisões contra bandidos que se encontra nas prisões. Os policiais se dirigindo aos presídios para prender quem apesar de já se encontrar preso, comete novos crimes de dento da cadeia. Pode um país assim ter a compostura necessária para merecer respeito de alguém, principalmente do general De Gaulle, que remeteu para o acervo público um esplendoroso brilhante que recebeu de presente?

Comprovado que está o predomínio do mal sobre o bem, da injustiça sobre a justiça, dos maus sobre os bons, o que resta àqueles a quem foi negado o direito de se sentirem bem, senão   pedir ajuda ao deus que eles pensam existir, mas de quem só se ouve falar?

domingo, 1 de dezembro de 2024

ARENGA 767

 

Certa vez a imprensa noticiou que o presidente francês, general Charles de Gaulle, passou para o acervo público um extraordinário brilhante que recebeu de presente. Pois bem, certa vez, esse mesmo general, homem merecedor de respeito e estima pela sua seriedade, disse que o Brasil não é um país sério. Se ninguém por aqui ficou envergonhado com isto, é porque realmente não somos um país merecedor de respeito como mostram os fatos. Nesse exato momento, num ridículo de chamar a atenção, a imprensa se divide entre notícias de crimes praticados por autoridades e notícias sobre um tal de pacote do governo. Governo sério toma medidas por meio de pacote? Lembra o antigo golpe do paco.

Tudo por aqui faz ver o quão distante estamos da seriedade que a vida exige. Se a França teve um De Gaulle, a Itália um Garibaldi como heróis, no Brasil um chofer de carro de corrida é seu herói e escoiceadores de bola são os libertadores das republiquetas de banana.

Como se não bastasse, nossa justiça é acusada por alguém de seriedade comprovada de comportar bandidos de toga e nosso ex-presidente diz contar com o presidente americano para se eleger novamente para presidir o Brasil. Então, é o presidente americano decidindo outra vez o destino do Brasil e do Chile?

Nesse momento pipoca lá fora um foguetório dos diabos em função de mais uma das brincadeiras com as quais os escoiceadores de bola libertarão a américa.

Tudo isso lembra as palavras de mestre Nietzsche de que ao adquirir conhecimento o homem paira soberano sobre tudo aquilo que faz a alegria da turba alegre e festiva. Haverá realmente na vida motivo para tanta alegria, foguetórios, requebramentos de quadris? Merecerão realmente fama e celebridades nossos “famosos” e “celebridades”? Por que não somos o país sério para dar exemplo do mundo de falsos líderes? Teriam D. Pedro I e D. Leopoldina que deixou sua pátria para se casar com ele lutado ambos por um Brasil como é hoje? 

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

ARENGA 766

 

Dá uma vontade danada de não ler mais jornal nenhum. Encerrar as assinaturas cuja única vantagem é permitem opinar sobre dos assuntos, estes não merecem comentário por serem sempre a mesma futricagem, crimes, baixarias, vulgaridades, roubos crimes e mortes. Não há mesmo assunto que desperte interesse em opinar a respeito. O G20 e a política que deveriam merecer atenção é a mesma arenga nojenta de sempre, sem qualquer serventia. São promessas prá boi dormir. Vale a pena ler jornal? Não vale. Tristíssimo país esse nosso! Até candomblé é assunto para ser noticiado. Embora a crendice seja assunto a ser banido da sociedade em razão de fomentar a ignorância, a mentira e a locupletação à custa da ignorância do populacho, como outras crendices apesar de também negativas pelos mesmos motivos são toleradas, deve-se tolerar do mesmo modo o candomblé e suas ramificações, infelizmente.

O ímpeto de não mais ler jornal algum não decorre apenas da infantilidade dos assuntos religiosos, divindades inventadas e os festejamentos a eles ligados que resultam em verdadeiro estouro de manada rumo às lojas nos fins de ano, quanto, então se é obrigado a trocar presentes e encher o bolso dos donos de loja.  Tão enfadonhos e mesmo entediantes quanto estes assuntos são aqueles referentes aos pegajosos “famosos” e “celebridades” cujo ridículo causa asco. 

No que se refere às autoridades, então, nem é bom falar. Sua falta de compostura e moral fazem atuais como nunca antes as palavras de Rui Barbosa que todos conhecem. A política foi tomada por tamanha degradação moral e degenerescência que os assuntos a ela pertinentes giram em torno de crimes contra o erário e à própria vida uma vez que poder das chamadas facções criminosas supera o poder do Estado além de contar com sua proteção. Até os intelectuais que deviam formar uma frente de batalha contra a cultura do enriquecimento, da banalização da vulgaridade e da glorificação da putaria televisiva que deturpa a noção de respeito e a sexualidade nos jovens no mundo, com destaque para nosso país, vivem os intelectuais no mundo da lua. É estarrecedor ler em Homo Deus que seu autor afirma que a humanidade vai alcançar a imortalidade. É possível tamanha sandice em um intelectual do porte de Yuval Noah Harari?

Em que mundo estamos e para onde irão os que aqui ficarão acreditando na existência de deuses, demônios e que na vida realmente há lugar para tantas alegrias? Não há não, minha gente! Alegria só dura enquanto dura o vigor da juventude que aos poucos, juntamente com as emoções vão se esvaindo como disse mestre Schopenhauer. Embora este filósofo seja considerado pessimista, nenhum pessimismo existe nessa sua constatação de exaurimento das emoções que nos movem à ação. Quem ultrapassou a idade considerada para velhice como este rabiscador de garatujas sabe por experiência que realmente as emoções vai se esvaindo à medida que passa o tempo. E, como ensinou mestre Sócrates, uma vida não refletida não vale a pena ser vivida. Assim é que a falta de reflexão sobre a vida leva as pessoas a deixar atrás de si um rastro de maldades e sofrimentos no caminho de satisfazer o vício em ajuntar riqueza.  No fim desse caminho está a debilidade que faz precisar de cuidados especiais inclusive de quem lhe limpe as sujeiras que também fazem parte da vida. Aí, então, de que serva imensa riqueza que ajuntou senão para briga de herdeiros?   

       

terça-feira, 24 de setembro de 2024

arenga 765

 

            Cadeirada, cusparada, cabeçada, socos, tudo isto pela oportunidade de servir a seu país. Cada um dos pugilistas querendo servir melhor que o outro, mas todos empenhados no saco santo dever de zelar pelo sucesso de sua sociedade. Dá enorme tristeza e até vontade de chorar pensar que tamanho sacrifício destas abnegadas almas que de tão bondosas se submetem até a levar porradas injustas a fim de ajudar pobres necessitados de tudo. É realmente triste ver pessoas tão desprendidas sendo chamadas de desonestas e que seu objetivo é roubar, quando, ao contrário, enfrentam tantos dissabores no afim de proteger pobres desvalidos, criancinhas inocentes para evitar que venham a cair nas garras da criminalidade e da prostituição. O povo é ingrato e mau em não reconhecer o valor destes destemidos desbravadores das más políticas e batalhadores pela política correta de bem servir com honestidade e carinho de sua sociedade. Por não saber o que diz é que o povo em vez de dedicar imenso amor a quem lhe quer fazer o bem, os magoa com mentiras infundadas se essa gente da melhor qualidade espiritual tendo direito assegurado em lei de poder gastar à vontade o dinheiro público abrem mão desta prerrogativa que pessoas desonestas andam atrás para que não pese nos ombros do povo o encargo de cobrir com seu trabalho tais despesas.

Quem é que tendo em suas mãos as fortunas que as emendas parlamentares lhes entregam para obras que beneficiam o povo de seus municípios e não desviam um centavo sequer, podendo fazê-lo, não são estas abnegadas pessoas?

Quem é que sua a camisa para evitar que o dinheiro do povo seja usado para enriquecer iletrados esportistas, “celebridades”, “famosos”, e ainda tem de corrigir orçamentos de obras que maus engenheiros calculam tão erradamente que é preciso quintuplicar o valor a fim de não deixar o povo do lugar sem usufruir daquela obra, não são estas abnegadas pessoas?

Quem é que podendo esvoaçar mundo afora, farrear em Paris com lenços de seda no lugar de ridículos chapéus de cantadores de bobagens, sem contar as hospedagens nos hotéis mais luxuosos do mundo, beber os vinhos e uísques de maior qualidade, enfim, quem é que abre mão de tudo isto em benefício do povo, não são estas abnegadas pessoas?

Mas, lhes serve de conforto o exemplo de Cristo que também sofreu por trabalhar em benefício do povo.