terça-feira, 23 de dezembro de 2025

ARENGA 860

 

A grandiosidade do universo não é tão grande quanto a questão de saber o motivo pelo qual podendo viver bem a humanidade vive tão mal. Sendo hoje véspera do nascimento, segundo crença geral, de um senhor Jesus Cristo tão obediente que por ordem pai sofreu horrores para redimir a malta humana de seus pecados quando ele mesmo, o pai, com muito menos poder do que o necessário para fazer o universo, evitaria que a laia festiva pecasse. Pois é trocando presentes entre que num pandemônio infernal que a turba homenageia seu salvador fingindo-se de irmandade, trocam abraços e até beijinhos.

A compra de presentes para dar e receber é mais um dos mil e muitos motivos de alegria. As lojas ficam abarrotadas e o alvoroço e terrível. Carrinhos ordinários que se acredita terem sido presentados por deus entram em desastres tão monumentais quanto o festejamentos nas estradas assassinas de nosso vasto país tão teimoso que ao ver outros idiotas esvoaçando pelo espaço também quer ir lá mas se esborracha no chão a cada tentativa de alçar voo. 

Os livros de História revelam que mesmo depois de ter a medicina se tornado capaz de desmoralizar a ignorância da crença que atribuía doenças a bruxas, ainda assim pessoas continuem sendo vítimas de males curáveis apenas por falta de recursos que custeiem o tratamento enquanto que outras pessoas têm recursos para custear tratamentos durante mil vidas que vivessem, mas que felizmente não têm. Caso contrário, haveria muito mais igrejas e farmácias.  

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

ARENGA 859

 

A questão política de direita e esquerda, como tudo mais quando se trata de política, não passa de inverdade pela simples razão de não estar o cerne da questão na ideologia, mas na estupidez humana. Se para o ideário professado pelos direitistas representados pelo monstruoso de aparência e de alma Henry Kissinger, o direito a uma vida de qualidade deve se restringir apenas aos mais habilidosos, razão pela qual esta ideologia pode ser tida também venha a mim e os outros que danem, portanto, totalmente contrária aos princípios da sociedade civilizada e própria para o tipo de sociedades atualmente existentes nesse vale de lágrimas que de forma alguma é o que a humanidade deve buscar.

Portando, se não é a direita apropriada para organizar a sociedade civilizada que merecemos, também incapaz para tal fim sua oponente a ideologia esquerdista que acredita serem justamente os menos capazes, aqueles que segundo a ideologia de direita não merecem viver com dignidade, não obstante esta incapacidade, para os esquerdistas serem justamente aqueles que uma vez de posse do poder político resolveriam a problemática social que até hoje maltrata a humanidade.

Percebe-se, pois, faltar nos seres humanos festivos, religiosos e alegres de uma alegria de débil mental, a racionalidade necessária para ser capaz de chegar à conclusão de como viver bem em grupo que é a melhor forma de vida para seres civilizados.

Entretanto, como Pandora conseguiu fechar a caixa antes de sair a esperança, embora não haja consenso sobre o que colocar no lugar da sociedade atual e inviável, há sinais de descontentamento com ela por parte de uma juventude até o momento vivido totalmente apática e imbecilizada a ponto de haver uma tal de juventude cristã e sociedades de grupos jovens com nomes de times de futebola, demonstrando ignorar o que seja pão e circo, estes jovens se matam entre si se o goleiro não segura a bola. Embora seja difícil a possibilidade de um despertar jovem para a civilização, não é de todo descartável. Afinal, Pandora não deixou sair a esperança junto aos outros males no presente de Zeus.   

 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

ARENGA 858

 

Não é aprendendo a filosofia dos filósofos que a humanidade vai sair da enrascada em que se meteu se os mais badalados entre eles, os mais antigos, eram tão inocentes a ponto de haver entre eles um tal de senhor São Tomás de Aquino que se dispunha a fazer o impossível: provar a existência de deus. Como provar a existência do que só existe na imaginação de quem por ser incapaz de pensar por si mesmo se orienta pelo pensamento alheio. Aliás, a humanidade embora seja constituída de seres dotados pela natureza de inteligência, exala estupidez por todos os poros de modo tão evidente que toma por certo o que está errado. Veja, por exemplo, a dependência de emprego como condição de vida, o que não tem sentido algum não só porque não pode haver emprego para todos que dele precisam, mas também porque o planeta não dispõe e materiais suficientes para serem transformados por empregados em quinquilharias a serem comercializadas. Trata-se, pois, de mais um dos muitos engodos com os quais a pequena parcela dos que acreditam poder mandar ludibriada a massa bruta de povo para ter vida regalada com o suor da cara alheia.

Lembra Eduardo Moreira que em vez do dinheiro, na realidade, riqueza são as coisas de que necessitamos para viver. Entretanto, como tais coisas vieram a ser trocadas pelo dinheiro que se tornou propriedade de poucos, a maioria, não podendo satisfazer suas necessidades, se veem na condição de excluídos que atrapalharão a tranquilidade dos poucos incluídos. Para que tal não ocorra, a solução pode ser o extermínio do excedente de excluídos, hipótese levantada pela escritora Viviane Forrester, no livro O Horror Econômico. Entretanto, deixar-se-ão os deserdados de tudo serem abatidos com a mesma docilidade das vítimas do Holocausto? Se não, o que acontecerá no mundo? Em nome da juventude, não será melhor evitar pagar para ver? Não é preciso ser inteligente para sentir que do jeito em que está não pode ficar.

 

 

     

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

ARENGA 857

 

É perder tempo sonhar com um mundo civilizado dentro de uma cultura onde os mais merecedores de prestígio são aqueles de menor nível intelectual e cujo mérito está em atividades que demandam massa muscular como acontece com os animais destinados ao açougue. Animais estes que sem interferência humana viveriam tranquilos e felizes em suas sociedades selvagens. Daí ser possível afirmar que sendo os humanos incapazes de formar uma sociedade superior se autocondenam ao tipo de vida medíocre em que vivem as bestas humanas digladiando entre si numa contenda eterna em busca de mais riqueza do que necessário.

De nada vale ao ser humano a racionalidade se não faz uso dela e nem mesmo entende de razão porque se entendesse concluiria ser tão necessário cuidar de si e dos seus quanto cuidar da sociedade em que vivem. Em vez disso, entretanto, o que é que acontece? Entregam muito mais dinheiro do que é necessário a outros seres humanos para que cuidem dos assuntos sociais, e é só. Envolvem-se tão absolutamente em infantilidades, incapazes de perceberem ser a realidade social totalmente diferente do esperado, como não podia deixar de ser, uma vez que aqueles a quem deram montanhas de dinheiro, tendo recebido a mesma orientação de vida recebida por todos, também foram convencidos da falsidade de ser menos importante a vida social ante a importância de cuidar de si e dos seus, daí as constantes notícias de desvios de verbas públicas.  

Fala-se atualmente em ministrar educação políticas à criançada como se política fosse uma coisa e outra coisa fosse a ausência de egoísmo que caracteriza o líder verdadeiro impossível de existir dentro da cultura do venha a mim e os outros se vê depois. De tal comportamento resulta uma sociedade onde o trabalho de quem trabalha é desfrutado por apenas pessoas que por terem nascido de pais ricos recebem um tipo de educação que lhes torna convencidos de estar na riqueza o caminho para se viver bem. Como não há quem não queira viver bem, todos correm atrás de riqueza. Como é mais fácil fazer mais riqueza quem é rico, o resultado é o que temos aí: a total impossibilidade de felicidade ante a realidade de um por cento dos seres humanos com noventa e nove por cento da riqueza existente. A crença de haver paz na riqueza é tão falsa quanto a de um deus criador de tudo haja vista que o povo do país mais rico e religioso do mundo, os americanos do norte, não raro é infelicitado por ataques terroristas.

 

   

terça-feira, 4 de novembro de 2025

ARENGA 856

 

Se for aplicado o “bandido bom é bandido morto” de quem nada sabe sobre a arte do bom viver a exemplo do jovem deputado Nikolas Ferreira, muito pouca gente restaria viva nesse país dito não sério por um homem sério como o General Charles de Gaulle. O bom senso estabelece com propriedade duas opções para quem transgredir as normas estabelecidas para garantir a segurança da vida social. Mas aí é que a coisa pega porque há inclusive entre quem estabelece estas regras muitas pessoas que as transgridam uma vez que as notícias na imprensa são tão fartas em noticiar perseguição a autoridades que o órgão legislativo já cogitou de se proibir tal perseguição, de modo a que as autoridades delinquentes pudessem estar a cavalheiro no tocante a ação policial.

A causa da desarrumação social no mundo será incontrolável enquanto tiver cada indivíduo por objetivo a posse de muito dinheiro por ser este um modo de pensar de tamanha falsidade que os bem sucedidos nesse mister, e que o fazem por terem sido levados pela educação antissocial engendrada pelos mesmos ajuntadores de riqueza, estão forçados a crer ser a incapacidade o problema de quem não tem sucesso em também ser rico, sem que lhes ocorra não haver no mundo riqueza bastante para que todos sejam ricos.

Quem acertou em cheio a respeito da desarrumação social foi mestre Rousseau ao afirmar que para se viver em sociedade cada indivíduo deve abrir mão de parte da sua liberdade pessoal em favor da ordem social, o que jamais acontecerá entre seres tão brutos quanto ainda são os seres humanos, levados por seu próprio sistema educacional à insensibilidade no tocante à certos comportamentos sem os quais se torna impossível haver a devida harmonia encontrada em sociedade civilizada ainda inexistente na face da terra como provam as guerras, a religiosidade, o barulho das alegrias e do constante fazer quinquilharias se o barulho transtorna normalidade psíquica. Outro fator que depõe a favor da incivilidade humana é o excesso de apreço dispensado a vulgaridades elevadas à condição de celebridades e famosos. Cabe ao tipo de educação dada às crianças a responsabilidade por tudo aquilo que tem servido de orientação para a sociedade dos humanos nada tem a ver com vida civilizada.

 

 

 

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

ARENGA 855

 

Os livros de filosofia são unânimes em afirmar que filosofar nada mais é do que meditar para chegar a conclusões. Mas se é assim, e é assim que é, as conclusões a que chegaram os filósofos em suas meditações não tinham como não têm por objetivo a preocupação com a qualidade de vida dos estúpidos seres humanos uma vez que nenhuma meditação já foi direcionada no sentido de aprimorar o comportamento destes seres levados intencionalmente à bestialidade capaz de superar a brutalidade das feras que se matam é porque a natureza lhes deixou esta condição de sobrevivência. Por vezes e apenas por vezes se contra alguma referência como a de Sócrates relacionada à qualidade de vida na afirmação de que a vida não refletida não vale a pena ser vivida. Mas, há alguém que reflita sobre a vida? Esta observação do filósofo não é observada por ninguém, principalmente pela juventude que tem o poder de mover montanha, mas que justamente por causa desse imenso poder precisa ser envolvida no pão e circo a fim de não perceber a realidade de completos idiotas que a envolve e que não deve aparecer uma vez que para bancar o idiota é preciso desconhecer esta realidade. A esse mesmo respeito disse Honoré de Balzac haver duas histórias a que nos contam, uma história mentirosa e falsa e outra história, a verdadeira, onde se encontra a realidade dos fatos.

A falsidade da primeira história mencionada por Balzac pode ser percebida por quem aprendeu as lições que a vida dá de graça. São exemplos desta falsidade e podem ser percebidos de várias maneiras desde que não se esteja submetido à idiotia do comportamento infantil de adultos que tiveram fixada no cérebro tamanha importância às brincadeiras que chegam a se matar em função do resultado de determinada brincadeira.

Se os bares estão cheios de homens vazios como disse o poeta Vinícius de Morais, estes homens vazios só demonstram interesse por assuntos também vazios de alguma importância no que concerne à vida. Jamais passaria pelo pensamento dos homens vazios o porquê da grande importância das tais celebridades e dos tais famosos, pessoas tão destituídas de capacidade meditativa que assim como os homens vazios também se acham realmente merecedoras do valor e da riqueza que o pão e circo lhes dá para utilizá-los como chamarizes que desviam dos homens vazios o interesse pelo futuro de seus filhos cujo destino é se tornarem também vazios.

 

arenga 854

 

Diz o historiador que a indiferença das autoridades francesas ao desmantelamento da política resultou na grande revolução começada em 1789 e que terminou com o surgimento de um baixinho encapetado que, como diz o mesmo historiador, sua falta de escrúpulos o talhava para ser bom político. Nosso momento político só não é igual porque a diabrura dos baixinhos daqui resulta nos Anões do Orçamento. Mas há muita semelhança.

Depois de sempre terem sido indiferentes, coniventes e promotores do desmantelamento da política, permitindo que os criminosos sem direito de exercer esta profissão chegassem a açambarcar o poder de também cobrar impostos da população e formar como forma o Estado imensa riqueza, vendo-se desprestigiadas as autoridades, sobretudo correndo o risco de perderem a doce vida para os bandidos, resolvendo acabar com a concorrência que as ameaçava e mandaram um monte de policias baixar o cacete prá cima da bandidagem, resultando num tremendo alvoroço da papagaiada de microfone em torno da morte de cento e vinte e duas pessoas durante os dois dias de conflito quando se sabe que no Brasil a cada dia são assassinadas mais do que isso, entre as quais trabalhadores e pessoas também honestas e cumpridoras do dever de cidadão.

O certo é não haver motivo de espanto ante a desarrumação da sociedade humana em qualquer parte do mundo se é impossível haver uma igualdade de opinião no sentido de que todos devem ter direito a uma vida digna. Portanto, havendo indiferença quanto à qualidade da vida social, impossível será não haver situações como a atual. Daí, talvez, quem pode dizer não ter razão a turba ignorante, festiva de lavadores de escadas de igreja, comedores de hóstias e admiradores de “famosos” e “celebridades”?