sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

ARENGA 793

 

A humanidade está estruturada de modo a não deixar espaço para um mínimo sequer de bom senso. Sempre foi assim e assim será até quando não se sabe. Aqui nas páginas 20 e 21 do livro O LIVRO DA ECONOMIA, (Globo Livros) atribuído a Aristóteles, o raciocínio de que a propriedade deve ser privada porque sendo coletiva desestimula o incentivo ao investimento e negócios de tal modo que as pessoas não tenham o que dar. Deve, portanto, a propriedade ser privada.

Tal conclusão significa não terem sido levados em consideração vários fatores todos negativos que determinam a personalidade humana há muito já percebidos por Thomas Hobbes de que o homem é lobo do homem. Sendo assim, a nenhum ser humano se pode confiar. Basta atentar para o fato de que ao faltar um gênero necessário seu preço logo dispara porque ao vendedor não bastando o aumento das vendas, é preciso aumentar o preço não lhe importando se as pessoas podem pagar.

O doutor Aristóteles não levou em conta que ninguém deve depender de esmola como acredita o governo com seus vários tipos de auxílios que chega ao extremo de auxílio para absorvente de menstruação.

Por ser a propriedade privada é que o mundo está dividido entre super bilionários e uma pobreza tão avassaladora que a violência dela decorrente é tamanha que extrapola do controle da polícia e as pessoas morrem feito moscas no veneno enquanto as autoridades por também incorrerem na sentença de doutor Thomas Hobbes, promovem festas para manter o populacho bem distante do mundo real das trapaças que a todos envolvem. Como seres humanos, não podem as autoridades deixar de aproveitar a oportunidade de levar vantagem se o cargo lhes proporciona.

Pior de tudo é não haver no horizonte possibilidade de vida inteligente. Escravizados que têm de sair de casa às pressas para servir à escravidão do emprego, arriscando-se a ser vítima de violência, acreditam-se livres, embora de uma liberdade para escolher o carro, o celular, o lugar para atender a ordem da indústria do turismo e até a roupa que vai levar na mala. Nenhum desses pobres diabos mentais sabe quem foi Rousseau e nem por que ele disse que o homem nasce livre a por toda canto se vê agrilhoado.  

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

ARENGA 792

 

Isso de buscar o que disse fulano e beltrano sobre governo é pura perda de tempo. Normalmente vai-se atrás do que disseram pensadores de séculos passados quando as coisas eram diferentes. Ao tratar da Revolução Francesa, o historiador Mc Nall Burnes cita John Locke e sua teoria de que antes de haver governo todos viviam num estado natural onde prevaleciam liberdade e igualdade até que tudo fosse bagunçado como resultado de cada um querer fazer valer o que achava ser direito seu. Então, para ordenar a sociedade foi inventado o governo com esta intenção malograda porque atualmente só pobre não faz prevalecer o que quer. Como resultado de governo limitado defendido por Locke e muitos outros pensadores, teoria que veio a prevalecer no mundo, dela resulta governos apenas para enfeitar e consumir dinheiro a rodo como é a cambada de reis, rainhas, príncipes e princesas da Inglaterra.

De nenhum modo um Governo deve ter limite algum que o impeça de ser fiel ao propósito para o qual foi inventado: manter a ordem social e o bem-estar dos governados. É verdade que nunca em tempo algum existiu governo empenhado em tal objetivo. Mas a inexistência de governantes que realmente governem, esta falta cabe aos governados ao considerar que sua responsabilidade em relação à sua sociedade termina quando declara seu voto, o que faz a contragosto, sem entusiasmo algum.

E aqui tem-se a fábula do cachorro correndo atrás do rabo. O sujeito não tem entusiasmo em participar da vida social se as autoridades cuidam apenas de si mesmas e de seus apaniguados enquanto que as autoridades cuidam de si e dos seus porque contam com a indiferença dos governados.

Um governo que governasse visando bem-estar social não faria seus governados verdadeiros idiotas insuflando neles a falsa alegria dos festejamentos que dará lugar a pensamentos mais elevados à medida que o vigor jovem vai se esvaindo, quando será tarde demais para qualquer outra coisa fora de consultas médias, remédios e cirurgias.

 

                                

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

ARENGA 791

 

O ministro Joaquim Barbosa, aquele que honrou o cargo de ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal onde teria entrado por mérito em vez de pela política como uns e outros que por lá, como todo aproveitador, apesar de ter entrado pela janela dos fundos, sente-se à vontade.  Principalmente no julgamento do rumoroso Escândalo do Mensalão, O doutor Joaquim Barbosa, com a justa admiração que fez por merecer, talvez tivesse perdido duas oportunidades monumentais de ser ainda maior motivo de orgulho do que já é não só para seus descendentes, mas também para os poucos homens honrados deste pobre e ao mesmo tempo tão rico país de triste sorte que não obstante a roubalheira e  o desperdício de montanhas de dinheiro, ainda assim sobra dinheiro para as esmolas do governo que faz cortesia com o chapéu de quem paga imposto.

 Uma das duas oportunidades talvez perdidas por doutor Barbosa a que nos referimos ali acima seria mostrar o valor de sua raça à cambada de imbecis do mundo inteiro que torce o nariz para quem tem a pele negra. Fosse a humanidade feita de Joaquins Barbosa, Miltons Santos e Luthers King o mundo não seria essa desgraceira de pasmaceira que é. A segunda oportunidade seria impor como presidente da república, pela primeira vez na História do Brasil uma política praticada para o bem da sociedade. Mas, qual do “talvez”? Por que a dubiedade? Seguinte: diante do que tem acontecido com quem quer política sadia e justiça social, pode ser que a única oportunidade perdida por mestre Joaquim Barbosa tivesse sido a de ser difamado e perseguido como aconteceu com Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e Marcelo Bretas, ou até de perder a vida como aconteceu com a missionária Dorothy Stang, Marielle Franco, Toninho do PT e Celso Daniel, sob a mais perfeita indiferença da justiça e do povo em função do analfabetismo político uma vez que para a laia de torcedores, foliões, “celebridades” e “famosos” só se morre por determinação de deus. Da política, impossível.

 

 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

ARENGA 790

 

Como será o Brasil daqui a cem anos é manchete de reportagem em jornal de hoje. Com a falta de qualidade de seu povo, certamente terá retornado à condição de colônia. Brasileiro é o povo mais imprestável para qualquer coisa que não seja roubar e requebrar quando ouve algum som até do canto de pássaro. Tendo sido desde sempre considerado normal o roubo, no que diz respeito ao roubo do dinheiro público (do povo), certa vez, em meio à bandalheira costumeira, surgiu um juiz durão que condenou vários desses ladrões à prisão. Ah, meu senhor, prá que que esse juiz foi fazer isso? Ergueram-se alvoroços de todo lado. Absurdo dos absurdos. Protestavam os ladrões e seus apaniguados. Isto é o fim! Empresário nenhum vai mais investir por aqui! Mas, como oeste juiz durão e mais um outro que também não estava para brincadeira, no Rio de Janeiro, haviam condenado e eles tinham foro privilegiado (artimanha para proteção de criminoso rico) os casos foram para na mais alta corte de justiça cujos juízes são ironicamente escolhidos por políticos, Condenados alguns dos criminosos, um dos juízes que havia sido reprovado para juiz de primeira instância e que não obstante esse fato foi guindado pela política a juiz de última instância, sugeriu trocar por multa a pena de prisão de criminosos do colarinho branco alegando que as prisões brasileiras são de tão baixa qualidade que não têm condições de receber gente acostumada ao conforto (sobre isso, ver Merval Pereira no livro O Mensalão).

Atualmente, em nosso desgraçado país, na imprensa quase não sobra espaço para outros assuntos que fora notícias sobre crimes, anulações de provas contra criminosos sob os mais estapafúrdios argumentos enquanto que a criminalidade toma conta da sociedade cabendo às autoridades, como se não fossem as responsáveis por tudo isso, apresentar condolências e solidariedade às famílias enlutadas. Sol a pino, ruas movimentadas, posto policial, absolutamente nada disso inibe a ação do crime que preenche as páginas dos jornais diariamente.

O brasileiro além de desprovido de conhecimento, de honradez e de tudo que caracteriza alguém em quem se posse encarar com respeito por se tratar de alguém de respeito, é também de uma preguiça monumental. Vejam os senhores que afim de evitar cadáveres pelas ruas do país por fome e outras misérias, às custas de quem paga impostos, o governo criou um programa de esmolas com as quais os preguiçosos podem ter pelo menos como evitar a morte famélica. Pois bem, em vez de trabalhar para juntar à esmola do governo alguma renda que lhe proporcionasse melhor condição de vida, simplesmente se contenta em viver de esmola mergulhando na ociosidade absoluta, o que a história de dois preguiçosos cada um numa rede, quando um deles pergunta ao outro se ele tem remédio para mordida de cobra porque está vindo uma cobra na direção deles.

 

   

sábado, 22 de fevereiro de 2025

ARENGA 789

 

Na administração da riqueza pública, nas atividades relacionadas a diversão e na interpretação da palavra de deus é onde estão os melhores empregos do mundo visto que os profissionais em tais atividades ficam tão ricos como nunca ficará um trabalhador em qualquer outra atividade. Tirando fora os promotores de brincadeiras que não têm a mínima noção do quanto são prejudiciais à sociedade, os comandantes das duas outras categorias de profissionais executam um trabalho deveras interessante de apenas dizer à humanidade o que ela deve ou não deve fazer. Não deixa de haver nisso alguma bizarrice porque se trata de adultos e não de crianças que precisam de orientação nesse sentido.

Também muito interessante em tudo isso é que há cerca de cinco séculos um jovem francês chamado Etienne de La Boétie já tinha despertado para esta questão e escreveu um livro chamado Discurso Sobre a Servidão Voluntária sobre o assunto da obediência servil que faz a humanidade aceitar de bom grado uma orientação sem sentir curiosidade em saber se é certa ou errado o que lhe mandam fazer ou deixar de fazer.

Tendo vivido antes de Thomas Hobbes, que despertou a humanidade para a maldade humana que a impede a vida social, e de Thomas Paine, que observou não serem os humanos capazes de comportamento condizente com vida civilizada, certamente por isso ao jovem filósofo La Boétie não tenha ocorrido que a brutalidade humana precisa ser contida e que para tal fim instituiu-se o governo com poder de repressão capaz de impor um comportamento compatível com a necessária vida em sociedade.

Também escapou ao jovem filósofo a realidade de que aquilo a que ele se refere como tirania e opressão contra a qual se deve rebelar, decorrem justamente da falta de civilização citada por Hobbes e Paine como causas impeditivas de vida social harmoniosa.

Sendo a humanidade absolutamente incivilizada, e sendo que a orientação para um modo de vida civilizada não pode partir de um ser que desconhece o que seja civilização. Corresponderia a recorrer a um analfabeto para alfabetizar. É aí onde está a origem da tirania e da opressão à que sujeita o povo. Quanto à necessidade de rebelar-se contra ela, sugerida pelo filósofo, embora ele diga também que tal rebelião deva dispensar violência e ser feita de modo inteligente, faz-se necessário, entretanto, que se conheço o modelo de administração que vai ocupar o de opressão e tirania engendrado por seres incivilizados levados aos postos de mando por um povo também incivilizado. A tal sistema não se chega da noite pro dia. Demanda um sistema de educação capaz de superar o analfabetismo político citado por Brecht como a causa dos males do mundo. 

      

 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

ARENGA 788

 

              A filosofia, na verdade, é uma trapalhada tão grande que nós leitos devemos ficar apenas na superfície, em coisas simples. Nem há necessidade de conhecer o propósito da filosofia do que nos diz sua definição de ser amor ao saber, ao conhecimento. É o que basta para nos poupar da ignorância e da inocência que tanto prejudica a humanidade.

Olha só que coisa interessante. Ainda hoje uma jornalista escreveu matéria intitulada OS INTELECTUAIS QUE ME PERDOEM, MAS ACREDITO EM DEUS. Depois de aprender com a filosofia o que mestre Sócrates nos ensinou da importância da análise da vida, quem aprendeu a lição percebe que a jornalista comete ato falho ao se desculpar perante os intelectuais porque isto  significa que ter grandes conhecimentos das coisas da vida, que é como podemos entender a qualificação de intelectual, ela afirma que a crença em deus é própria de quem não é intelectual. Isto é, ela demonstra a realidade de haver maior desconhecimentos da vida entre pessoas sem intelectualidade, pouco conhecimento.

A esse respeito, aliás, o jornal Tribuna da Bahia tem estampado fotos das inúmeras festas de lavagem de escadas de igrejas, de Iemanjá, e, hoje, da lavagem de Itapuã. As fotos mostram para os bons entendedores que a multidão é feita por pessoas do povão inocente por conta de ter aprendido as inverdades que os meios de comunicação lhe insuflam na mente e que é justamente o público cativo da crendice. Foi o que confirmou a jornalista quando pediu desculpas aos intelectuais por acreditar em deus.

Desta forma, estando na falta de conhecimento a fonte dos males do mundo, como asseverou mestre Bertold Brecht, cabe a esta juventude dinâmica e tão terrivelmente preocupada com o futuro dos descendentes que nem mesmo se deixa envolver com celular tamanha é a vontade de endireitar a política do mundo e pô-la em mãos de líderes autênticos como os que há entre os jovens (quem sabe se não acontece?) que logo, logo, esta mesma juventude esperta vai trocar por outro o sistema educacional montado para manter o povo longe do discernimento.

Desse modo, o maior benefício que podemos auferir na filosofia é nos apegar ao prestígio que ele atribui ao saber. Não vale a pena descobrir o que quer dizer o filósofo que afirma ser impossível ao superveloz Aquiles vencer uma corrida contra uma tartaruga e que nenhum de nós pode atravessar uma sala. Isso, pode ser deixado de lado. É melhor.

 

   

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

ARENGA 787

 

O preenchimento do cargo de presidente da república brasileira está totalmente à deriva e, portanto, à disposição de quem quer que se apresente para conduzir o país sem necessidade de comprovação de comportamento nem dignidade e muito menos de folha corrida. Certa vez, o privatizador da Vale, o doutor Fernando Henrique Cardoso, a quem a própria família diz não merecer confiança, e que certamente por esse motivo é atualmente rico pecuarista depois de ser presidente da república, como mostra matéria no Google intitulada “De sociólogo a Fazendeiro”, teve a coragem de afirmar na cara dos frequentadores de igreja, axé e futebola que o boneco da Globo Luciano Huck seria um bom candidato a presidente do Brasil. Não é de admirar que agora se cogita de ser Gustavo Lima, cantador de músicas sertanejas pretendente a ocupar o mais alto cargo da administração pública deste rico e belo país de triste sorte e povo tão   facilmente enganável que produz riqueza suficiente para enriquecer os responsáveis por sua administração e ainda sobra o bastante para socorrer vítimas de grandes  desastres climáticos e manter aparência de boa administração pública. Desta forma, como não seria nosso país no caso de ter toda sua riqueza administrada corretamente?

Entretanto, por indiferença dos donos desta riqueza fabulosa, apenas o que sobra depois do esbanjamento espetacular é aplicado na administração pública.

Na verdade, é o mundo inteiro que está em total desordem. Como não há quem se interessa pela ordem, porquanto a falta de respeito à ordem é a praia do “levar vantagem” da malandragem nos postos de mando, uma vez que a massa bruta e aparvalhada do dono de tudo e verdadeiro senhor do mundo, o povo, além de trabalhar tem por única atividade espernear da alegria de débil mental, é daí que vem a situação atual de tamanha barbárie que fora da situação de guerra o mundo nunca esteve em situação tão aflitiva, com ênfase para as republiquetas de banana.