quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

arenga 660

 

  

Há político aconselhando ao presidente da república recém-empossado no cargo a fazer vistas grossas aos criminosos que depredaram o centro do poder político na Capital Federal, em flagrante desrespeito à ordem democrática que institui alternância no poder. Sendo lamentavelmente de conhecimento geral que noventa e nove por cento dos políticos têm personalidade antissocial, adeptos, portanto, do individualismo egoísta que explica as injustificáveis privatizações, injustificáveis porque trabalhadores de empresa pública podem trabalhar em pé de igualdade com trabalhadores de empesa privada, dependendo apenas de administração.

Sendo notório o comportamento dos políticos, com raríssimas exceções, a recomendação para fazer de conta que nada aconteceu de grave, certamente partiu de quem visa proteger-se contra futuro possível chamamento prestar contas por atos indevidos.

Mas, de modo algum deve um governo fazer vistas grossas a deslizes, principalmente em se tratando de deslize de autoridade que o povo paga bem pago para agir com correção. Embora não seja o que acontece, é justamente por não acontecer que a roubalheira grassa por todo canto, o que justifica as palavras do Cardenal de Hertz de que quando os que mandam perdem a vergonha os que obedecem perdem o respeito.

Se governo existe para pôr termo à selvageria dos ainda não domesticados seres humanos, não pode estar a anuir com desmandos como tem acontecido, o que se explica no fato de não terem também os governantes sido domesticados.

É uma situação deveras bizarra esta de esperar que seres tão chucros quanto feras pelo fato de serem investidos de autoridade adquiram como por passe de mágica as qualidades requintadas necessárias à atividade de liderança. O modo como está o mundo organizado, com alguns tendo demais e outros tendo de menos e guerras como na bíblia, além de destruição da natureza, são fatos que provam não haver possibilidade de se esperar que seres humanos possam engendrar civilização sem que haja um trabalho voltado nesse sentido. Como o trabalho que há é voltado no sentido contrário, a selvageria permanecerá como vê na contracapa do livro O Mundo Em Queda Livre, de Joseph Stiglitz: “No mundo em desenvolvimento, muitos olham para Washington e veem um sistema de governo que permitiu que Wall Street escrevesse as regras em seu próprio proveito, pondo em risco toda a economia global. E quando chegou o dia da verdade, Washington pediu aos mesmos senhores de Wall Street e seus parceiros que administrassem a recuperação – de modo que Wall Street recebeu quantidades de dinheiro que estavam além da imaginação mais fértil e desbragada dos maiores corruptos do mundo.” E, na página 177, ainda sobre o mesmo assunto: “Os banqueiros que levaram o país a este estado de confusão deveriam ter pagado pelos seus erros. Em vez disso, receberam bilhões de dólares” “apenas com taxas bancárias arbitrárias, os bancos cobravam mais de seus clientes que tudo o que o país investia em educação e saúde.” Isto aí é o típico comportamento da fera que age como se coubesse um búfalo em seu estômago. 

 

 

 

 

 

 

sábado, 14 de janeiro de 2023

ARENGA 659

 

Na orelha da primeira capa do livro Economia Da Desigualdade, de Thomas Piketti, uma pergunta leva a crer que para os intelectuais quem não faz parte do seu seleto grupo é tão incapaz de raciocinar quanto a massa festiva de torcedores, carnavalescos e frequentadores de igreja, indiferente a tudo que exija raciocínio, mas mão é assim porque há quem seja capaz de ver ingenuidade na pergunta do escritor que é a seguinte: “A desigualdade é consequência da concentração do capital nas mãos de poucos?”. Ora, e do que mais poderia ser a desumana desigualdade social senão do apoderamento de toda a riqueza existente por avaros ignorantes do que seja vida social? Os bens de que as pessoas necessitam só podem ser adquiridos com o dinheiro a que o escritor se refere como capital. Se esse dinheiro está concentrado em mãos de poucas pessoas, nada fica para as demais senão migalhas. Desta distorção resulta a desigualdade da qual decorre a maioria dos males que afetam a humanidade porque eles provêm da pobreza que é fonte de doenças, fome, revolta e violência.

Por outro lado, na página 15 do livro Brasil Dos Humilhados, o filósofo Jessé de Souza também faz uma pergunta que se a humanidade fosse menos estúpida, capaz de raciocinar, e atentasse para a pergunta do doutor Jessé de Souza, como Arquimedes, sairia pelada da banheira da ignorância gritando eureca! Descobri o motivo das agruras! De todas as agruras! Isto porque na importantíssima questão levantada pelo doutor Jessé é onde se esconde a resposta para absolutamente todos os males de que padece a humanidade. Embora pareça simples, a resposta à pergunta “Por que mentir sobre como realmente funciona o mundo social?” revela uma realidade desconhecida por noventa e nove vírgula nove por cento dos seres humanos. Embora eles nem desconfiam, vivem uma farsa do tamanho do mundo.

No livro Economia Da Desigualdade, referindo-se às artimanhas dos banqueiros para enganar os clientes, o autor diz que a falta de conhecimento (das pessoas) faz parte do negócio (dos banqueiros). Prá todo lado que se volte depara-se com um engodo. Quando falsos líderes políticos se misturam com a multidão suada e desagradável para lavar escadas de igrejas, estão enganando aquela pobre gente a fim de se fazer popular e merecedor dos votos que lhes assegurarão o direito de parasitar a sociedade do mesmo modo como fazem os falsos líderes religiosos quando induz o povo desprovido de entendimento a comprar feijão milagroso ou a pagar por cerimônias de batismo, casamento ou recomendação de almas a deus, do mesmo modo como faziam os egípcios de cerca de quatro mil anos atrás quando compravam de sacerdotes fórmulas mágicas que lhes permitiriam entrar no reino celeste de Osíris. (História da Civilização Ocidental, de Edward Burns, I volume, página 54).

O propósito dos líderes da humanidade é mantê-la incapaz de evoluir mentalmente que é para não ser capaz de perceber a triste realidade de viver sem saber que a vida não é o que pensam que é. E, infelizmente, nesse objetivo funesto, têm os falsos líderes tido sucesso absoluto como mostra o fato de haver reis por atividades de nenhuma importância do ponto de vista do desenvolvimento mental, mas não haver um só rei em função de atividade que contribua para o desenvolvimento intelectual. Com o mesmo intento de ludibriar é que existe a religiosidade. Não é à toa que as pessoas mais simples, as mais desprovidas de conhecimento, são também as mais religiosas. O deus de quem essa gente espera receber aquilo que só ela mesma é capaz de fazer é mais uma farsa. Por ter sido criação do homem quando a mulher era relegada à insignificância é que deus é masculino. Se cavalo ou porco também criassem um deus, ele teria a forma de cavalo ou porco, afirma o filósofo.

Sendo enganar os liderados o objetivo dos líderes, a humanidade incorre em erro irreparável deixando seu destino a cargo deles, de modo que a organização social não se sustenta e o sistema educacional mostra esta realidade de modo insofismável. Na página 10 do livro História Geral E Do Brasil, de Cláudio Vicentino e Gianpaolo Dorigo, encontra-se uma ilustração onde aprece garotos em sala de aula, com s seguinte explicação: “Alunos do antigo ensino primário, no Instituto Muniz Barreto, Rio de Janeiro, em 1904. Neste nível de ensino e nesta época, a história religiosa era mais difundida do que a história das civilizações. Sabendo-se que a personalidade do adulto, como observou mestre Platão, resulta do que aprendeu em criança, do ensino de religiosidade resultam adultos desmotivados para analisar os fatos, e por isso mesmo, incapazes de perceber serem vítimas de engano para tomar seu destino em suas próprias mãos, como devia ser. Tais adultos são indiferentes a distorções como um sistema tributário no qual pobres pagam mais imposto do que ricos, como era na França de 1789, e que foi um dos motivos da grande Revolução.

Encerramos esta prosa observando que por incapacidade de analisar a vida, as pessoas convivem indiferentemente com grandes contradições, sendo a mais grave ser a coisa pública considerada de ninguém. O absurdo chega ao ponto de haver gastos por autoridades de conhecimento vetado ao povo que paga.

Como dizíamos lá em cima, é tudo contrassenso. Quando, em louvável atitude, Castro Alves bradou “Ó Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?” em protesto contra a escravidão, não observou, como também não observa ninguém, que deus aprova a escravidão em várias passagens da bíblia, inclusive em vários versículos do parágrafo 21 de Êxodo.

  

 

 

domingo, 6 de novembro de 2022

ARENGA 658

 

            Lendo a orelha da primeira capa do livro Economia Da Desigualdade, de Thomas Piketti, ocorreu-me que intelectuais são tão desligados da realidade que quase se assemelham à ralé festeira e religiosa de quem a capacidade de raciocinar não se eleva além da sola do sapato. Lembram o que disse o filósofo Vinicius Bittencourt: “os escritores costumam partir do nada, percorrer o vácuo e chegar a lugar nenhum. Daquela leitura se depara com as seguintes perguntas que parecem coisa de criança:

            Primeira pergunta:

            A desigualdade é consequência da concentração do capital nas mãos de poucos?

            Como admitir de quem tem desenvoltura intelectual bastante para escrever aquele texto dúvida quanto a esta realidade? Se em função de desmedida avareza e ignorância absoluta do que seja vida em sociedade um punhado de Bezos e Hangs açambarcaram para si sós a riqueza que o escritor chama de capital, nada ficando para as demais pessoas, evidente que esta posse socialmente condenável que o escritor chama de concentração é a causa da desigualdade que infelicita milhões de pessoas no mundo.

            Até o momento, com muita festa, religiosidade e mil e uma formas de campeonatos que papagaios de microfone se encarregam de anunciar alvoroçadamente em troca da despensa abastecida pelos gatos pingados concentradores a fim de evitar que a turba alegre descubra suas malandragens, é desse jeito que eles têm conseguido esconder a injustiça de que são vítimas as multidões festivas.

            O filósofo Jessé de Souza levantou esta questão quando na página 15 do livro Brasil Dos Humilhados, pergunta: Por que existe o interesse em esconder como funciona o mundo social? Bravos, doutor Jessé. O interesse em esconder como funciona o mundo social é para que a turba alegre e festiva de pobres diabos mentais futucadores de telefone, sem saber, seja extorquida pelos Bezos e Hangs do mundo.

            Mas, como sabe quem lê História, já aconteceu por várias vezes de o desconforto dos espoliados fazê-los esquecer das festas e se ligarem na realidade de não passarem de paspalhos produzindo imensa riqueza para desfrute de parasitas. Nestas ocasiões, o despertar destes pobres diabos para a dura realidade de suas vidas desperta neles tamanha revolta que, enfurecidos, protagonizam um pega-prá-capar dos diabos.

            Segunda pergunta:

            É possível reduzir a desigualdade através de investimento em educação?

            É, sim, claro que é. Mas não a educação que interessa aos concentradores de renda porque eles ensinam justamente as duas mentiras que mantêm a humanidade satisfeita na condição de serviçal deles: uma destas mentiras é deixar o destino a cargo de um deus inexistente porque disto resulta que as pessoas se tornam dóceis e submissas ao destino traçado por seus algozes. A outra mentira que a educação dos exploradores ensina é amor à riqueza. Mestre Platão ensinou que o rumo indicado pela educação da criança determina a personalidade do adulto que ela vai ser. Portanto, da educação dos exploradores que ensina estas duas mentiras resultam dois tipos de adultos: os que buscam inutilmente nas igrejas proteção contra seus males e os que dispondo de dinheiro público não resistirem à tentação de roubar para enriquecer.

            Terceira pergunta:

            O sistema Tributário moderno será capaz de promover uma distribuição de renda ou é preciso uma grande reforma?

Esta, então, é de infantilidade própria de frequentador de igreja, axé e futebola metido a sabido em conversa de boteco. O sistema tributário moderno em nada difere do sistema tributário de 1789, na França, que foi um dos muitos motivos do descontentamento que resultou na Revolução Francesa, quando, então, os privilegiados da época, os parasitas do clero e da nobreza, não pagavam imposto assim como também não pagam os parasitas modernos das igrejas e das empresas.

            Sendo o dinheiro o único meio de socorrer as aflições decorrentes da pobreza, e sendo a tributação o processo de obtenção desse dinheiro, evidente estar na tributação a possibilidade de haver a distribuição de renda necessária para atender as necessidades das pessoas. Porém, nunca, que isto acontecerá na cultura capitalista em que o peso da tributação além de recair sobre os pobres, o dinheiro arrecadado é roubado e esbanjado pelas “autoridades” em mordomias infindáveis.

            Por estas e muitas outras é que, como se dizia no meu tempo de menino, parafraseando com intelectual, quando eles não cagam na chegada, borram na saída se até mestre Castro Alves falou bobagem ao protestar contra a escravidão da chibata que deu lugar à escravidão do emprego ao bradar aos quatro ventos em alto e bom som: “Ó Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?” Clamando por ação de deus em socorro dos escravos, quando, de acordo com vários versículos do parágrafo 21 de Êxodo, deus se mostrou adepto da escravidão.

O certo é que se valoriza a intelectualidade tão exageradamente como prova a grande discussão a respeito do que Einstein pensava a respeito de deus como se dependesse da opinião dele para saber que deus nunca existiu fora da bola que a malta ignara tem no lugar onde gente tem cabeça.

  

 

 

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Arenga 657

No dia 6 de maio de 1997 a Companhia Vale do Rio Doce foi vendida por 3,3 bilhões de dólares. Em 2008 o valor da empresa era de 196 bilhões de dólares.

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O Brasil importou 30 usinas da URSS. Destas, apenas uma foi instalada, mas não funcionou e uma década depois continuava em Uberlândia que nem uma carcaça fantasma; as outras 29 nem sequer foram deslocadas dos trapiches dos portos onde deterioraram e foram vendidas como ferro-velho.

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o secretário de Estado (americano) Dean Rusk consultou Gordon (embaixador dos Estados Unidos no Brasil) sobre uma estratégia política para a escolha de um presidente para o Brasil”

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No dia nove de agosto de 2022, três procuradores da república foram condenados pelo Tribunal de Contas do Brasil a devolver aos cofres públicos dois milhões e oitocentos mil reais, sendo o motivo da condenação vingança por terem os procuradores perseguido bandidos que foram obrigados a devolver mais de vinte bilhões de reais roubados deste pobre país de triste sorte e povo.

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No dia 30 de outubro de 2022 foi eleito mais uma vez presidente do Brasil um ex-operário e sindicalista que anos atrás já tinha sido presidente prometendo banir a corrupção do meio de um povo acostumado a políticos ladravazes. Tão acostumado que canalhas da pior espécie segundo a imprensa ensinam canalhice a seus filhos e passam para eles cargos eletivos como se fosse hereditário em vez e elegível pelo povo.

Entretanto, como no brasileiro o instinto de rato é mais forte do que no rato, aproveitando-se do cargo, o ex-operário roubou mais do que qualquer outro ladrão antes dele que de pau-de-arara que era quando chegou a São Paulo vindo de Pernambuco com uma mão na frente e outra atrás, tornou-se multimilionário patrocinando os escândalos monumentais mostrados no livro O Chefe. Depois de condenado em duas instâncias judiciais e trancafiado como deve ser todo ladrão, vergonhosamente, teve a condenação anulada por ministros do STF tão desprovidos de envergadura moral para o cargo que são chamados de canalhas e temem aparecer em público.

Vergonhosamente e por motivos escusos como é tudo nesse país de triste sorte e povo, como também por birra com o atual presidente, um militar de baixa patente que por ser tão desqualificado intelectualmente quanto seu adversário ladrão, é como gosta o povo alegre apesar de sofredor. Assim é que os cavaleiros negros mambembes indignamente ocupando cargo que exige nobreza de caráter que lhes falta ajudaram o ladrão a novamente se eleger presidente.  

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Ante tais notícias na imprensa, o que leva o povo deste país de triste sorte a ser o povo mais alegre e festivo do mundo? Seria uma alegria de débil mental? Lembrando Millôr Fernandes, que país é este? Aqui, pessoas das mais desqualificadas intelectualmente como escoiceadores de bola, ridículos cantadores medíocres e mulheres infinitamente mais vulgares do que as que tem atividade sexual por profissão merecem maior valor do que quaisquer profissionais por mais altamente qualificados que sejam.  Embora a nenhum jovem futucador de telefone ocorra interesse a respeito desta questão, sem que seja revelado o motivo pelo qual se vive tamanho descompasso será totalmente impossível a realização do sonho de viver bem, comum a todos indistintamente, de rico a pobre, de letrado a analfabeto.

Nesse momento, foguetório pipoca em comemoração à eleição do ex-prediário e dois dias antes foguetórios pipocaram em saudação à vitória num campeonato de futebola, e daqui a mais dois meses alegria de carnaval explodirá país afora, não obstante as notícias com as quais iniciamos esta prosa.

Passada a ressaca das alegrias, qual não o desapontamento dos bobos alegres com a vida quando lhes chegar a inevitável necessidade de hospitais, intervenções cirúrgicas e medicamentos, se os recursos para tais providências estão sendo desbaratados debaixo de suas barbas alegres e indiferentes?

 

 

 

sábado, 29 de outubro de 2022

ARENGA 656

O comportamento de quem se encanta com uma árvore e esquece de ver a floresta equivale ao comportamento dos filósofos e intelectuais sobre a infelicidade humana. Embevecidos em mergulhos filosóficos ou literários, passa-lhes desapercebida a realidade de que os seres humanos são infelizes por sua omissão em decidir sobre seu destino, deixando-o erradamente a cargo de falsos líderes religiosos e políticos. Convencê-los de que estão sendo induzidos a tal erro para que assim ignorem ser vítimas de enganadores que os tornando incapazes de traçar melhores caminhos por onde caminhar obrigam-nos a caminhar pelos caminhos por eles indicados e que levam a guerras, fome, doenças e troca da natureza por dinheiro nunca suficiente para satisfazer uma incontrolável avareza. Apesar de ser inegável o erro em que incorrem os seres humanos, convencê-los de que estão errados é tão impossível quanto convencer uma besta da necessidade de lhe tratar um ferimento.

De nada adiantará tentar civilizar a humanidade sem antes da tentativa não se atentar para o ensinamento de mestre Rousseau de não se poder ser claro com quem é desatento. Ante de tão clara realidade, ninguém mais indicado que filósofos e intelectuais para o trabalho de trazer para a realidade da vida a atenção dos seres humanos que por artimanhas do tinhoso está grudada exclusivamente em igreja, axé e futebola. Sem fazer que a humanidade seja convencida de comportar-se de modo a causar sua própria ruína é impossível aos seres humanos realizar o sonho de uma vida sem as atribulações que os atormentam.

Sem isso, nenhum valor têm livros sobre o pensamento de fulano e beltrano, principalmente de pensadores de tempos de antanho porque em tais tempos o conhecimento girava em torno de uma realidade menor. René Descartes, por exemplo, laureado pensador do século XVI, afirmava ser possível provar a existência de deus, o que se deve ao fato de à medida que se recua no tempo e é menor o conhecimento, é mais forte a crença da existência de deus, verdade facilmente verificável quando se observa que pessoas de menor ou nenhuma desenvoltura intelectual são as que conversam com estátua, compram feião milagroso e escrevem foi deus que mim deu em carrinhos baratos que indicam tratar-se de quem a luta pela sobrevivência impede aprender com a história das religiões a verdade sobre elas. É comum incultos escoiceadores de bola voltando os olhar para o céu, fazer de deus um torcedor ao atribuir a ele o sucesso de sua jogada.

As verdades que com o passar do tempo tomam o lugar das falsidades, aos poucos vão enfraquecendo a fé inabalável até vir a religiosidade a se tornar mitologia. A mesma fé no deus que o povo tem na bola de futebola onde devia ter cabeça era voltada para cultuar Thor, Odin, Mercúrio, Apolo, os irmãos Prometeu e Epimeteu, Minerva, Atena, Afrodite e tantos outros e outras deuses e deusas que atualmente são entretenimento literário do mesmo modo como serão as divindades que atualmente merecem a mesma atenção que já mereceram aquelas divindades.

Assim é que a busca por melhor forma de vida estará mais bem representada por quem tem os pés no chão do que por filósofos e intelectuais porque mestre Friedrich Hegel, no século XVIII, afirmou que não se aprende nada com o estudo da história se estudando História é como se percebe que a humanidade tem sido tão estúpida a ponto de estar a um passo de se autodestruir. Mas os Intelectuais contemporâneos, do mesmo modo, incorrem em divagações inúteis do ponto de vista da necessidade da mudança implorada de joelhos pelo bom senso. Na orelho do livro Era Dos Extremos, o intelectualíssimo Eric Hobsbawn, face aos tormentos do século XX, afirma ser como se passado e futuro estivessem seccionados do presente. Dá impressão de que assim como papagaios de microfone e cientistas de politicagem falam porque disto depende a despensa abastecida, também intelectuais escrevem por profissão. Como parecer que passado e futuro podem estar separados do presente se o presente foi moldado pelo passado e moldará o futuro? Com a mesma falta de lógica é que mestre Hobsbawn se refere como dourados os anos 1950/60 porque o capitalismo teria sido responsável por extraordinária expansão econômica. Ora, com o respeito necessário a tão ilustre personalidade, no final da página 172 e começo da 173 de História da Riqueza do Homem, de Leo Huberman, o velho e sábio Marx assim se referiu ao capitalismo: “Se dinheiro vem ao mundo com uma mancha congênita de sangue numa das faces, o capital vem pingando sangue da cabeça aos pés, de todos os poros, sangue e lama”.

Para frequentadores de igreja, axé e futebola que torcem o nariz para Marx, para os que sabem ler, que leiam o que diz sobre capitalismo o historiador americano no livro História da Civilização Ocidental, página 692: “... fábricas, particularmente as de tecidos, eram piores do que prisões. Tinham janelas pequenas que em geral se conservavam fechadas a fim de manter a humidade necessária à manufatura do algodão. A atmosfera viciada, o calor sufocante, a falta de higiene, a par de horários intoleráveis, reduziam inúmeros operários a pobres criaturas macilentas e minadas pela tísica, arrastando bom número deles ao alcoolismo e ao crime ... em Manchester, um oitavo das famílias da classe operária vivia em porões. Outras amontoavam-se em miseráveis habitações coletivas, com até doze pessoas a morar num só quarto...”. Não há, pois, como haver algo de positivo para boa qualidade de vida se pessoas são tratadas com tamanha crueldade, além de que a riqueza produzida pelo trabalho da classe trabalhadora vai servir para engordar contas, papadas e barrigas dos avaros Midas do mundo para os quais há quem não precisa comer. Afinal, o capitalismo começou aprisionando e transportando negros africanos em porões doentios de navios para vender na Europa.  

terça-feira, 25 de outubro de 2022

ARENGA 655

 

Grandes são as alegrias e festejamentos nos quais a juventude desgasta boa parte do vigor que lhe faltará mais tarde quando os tempos de festas derem lugar a tempos em que os escoiceadores de bola, cantadores de bobagens, celebridades, famosos de araque e reis de pau oco passarem a ter menor valor do que os profissionais de saúde. Antes da chegada dos tempos de remédios, consultas médicas e hospitais, fervilha nos espetáculos circenses incontrolável massa de desavisados como formigas e moscas fervilham em torno de mel derramado. É tão grande a falta de lógica em tudo isso que figuras ridículas de nenhum valor que não sejam vulgaridades despontam como celebridades e famosos para um povo enganado para consagrar a tais tipos um valor que eles não têm. É totalmente inaceitável em nome de civilidade que a opinião de tipos intelectualmente desprezíveis possa ter valor político, e mais inaceitável ainda sua pretensão de ocupar o mais algo cargo da administração pública, o de presidente da república. Totalmente injustificável que habilidade em brincadeiras confira maior reconhecimento da sociedade do que habilidade de profissionais altamente qualificados para prestar relevantes serviços à comunidade como os que por duas vezes salvaram minha vida. É graças a eles que posso continuar tentando levar à juventude mensagens de alerta para a necessidade de procurar novos caminhos por onde caminhar porque estes pelos quais tem caminhado vai lavá-la inevitavelmente a desastre de proporções desconhecidas e terríveis.

Não se trata de ser pessimista. Mas a alegria não pode ser duradoura se logo mais adiante a tristeza espera pelo momento de substituí-la. Assim, encurtar as rédeas da tristeza torna mais robusta a alegria. E para isto basta meditar sobre se a vida no momento histórico em que vivemos está realmente a oferecer maiores possibilidades para alegria ou para tristeza. Alguma reflexão sensata sobre esta questão levará à conclusão de que a alegria atual é induzida por uma instituição oriunda do império romano chamada pão e circo. Engendrada por parasitas para manter a humanidade a seu serviço, seres avaros de extrema maldade, inspirados por satanás, aproveitando da facilidade com que as pessoas podem ser induzidas para o bem ou o mal, optaram pelo mal, e por meio de infinita rede de comunicação levam toda a humanidade a se envolver com atividades lúdicas em detrimento dos assuntos realmente importantes. Desta forma, vêm estes seres incompatíveis com vida social tendo êxito absoluto em manter todas as demais pessoas fora do seu grupelho de insaciáveis ajuntadores de riqueza estar correto serem elas mantidas na condição de serviçais de sua avareza, tralhando para que eles usufruam desse trabalho em troca de recompensa suficiente apenas para não faltar a vitalidade necessária ao serviço de fazer funcionar suas máquinas de fazer riqueza. Tornar importantes assuntos de nenhuma importância é como o pão e circo dos parasitas tem sucesso absoluto na arte maligna de anular a inteligência latente nos seres humanos, alienando-os de interesse por assuntos tão relevantes como a inviabilidade de futuro para seus filhos em função da corrosão impiedosa dos recursos dos quais depende a vida de nosso planeta.

Mas esta alienação tem também por objetivo o analfabetismo político que leva frequentadores de igreja, axé e futebola a fazer as piores escolhas para os cargos públicos importantes, resultando da má escolha tamanha deterioração da tão importante ação política que dela depende tanto o bem-estar social e individual quanto a própria vida. Pois, não obstante tamanha importância, das más escolhas devidas ao analfabetismo político resultou em ter sido a política assenhoreada por bandidos perigosos que contam com proteção da justiça.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

ARENGA 654

 

Depois da religiosidade, entre as muitas outras falsas crenças nas quais se fundamenta o comportamento humano desponta a excelência da democracia como a segunda mais prejudicial. Embora pudesse ser benéfica à humanidade, a democracia é prejudicial. E não pode deixar de ser devido ao estado mórbido de ignorância que a religiosidade impõe aos seres humanos de forma tão avassaladora que praticamente anula no homem a capacidade de raciocinar e o torna tão inocente que é capaz de conversar com estátua e comprar feijão milagroso. Como poderiam seres tão ingênuos fazer uma escolha acertada para que as vantagens da democracia pudessem se materializar? Por esta razão é que para o bem da juventude os pais não devem prescindir de meditar profundamente sobre como evitar continuar transmitindo para os filhos o que aprenderam dos avós deles uma vez que deste aprendizado resultou a infelicidade das guerras, destruição da natureza, doenças, fome, violência e putaria televisiva invadindo os lares, transtorno mental levando jovens à depressão e suicídio além de tamanha estupidez que a meditação é considerada desperdício uma vez que tempo é dinheiro.

Se há implicância deste cantinho de pensar quanto à religiosidade, e realmente há, é uma implicância tão justificável quanto a de quem implicasse em não beber o veneno que lhe fosse oferecido. Não se pode prescindir de mudança se o mundo se encontra a mercê de um sistema financeiro que por meio de um estelionato legalizado se aproveita da falta de conhecimento de quem procura resguardar suas economias da inflação para lhes roubar livremente, mau exemplo aprendido da religiosidade que vendendo falsas promessas arranca imensa riqueza de pobres diabos que escrevem foi deus que mim deu em seus carrinhos ordinários. Nem é diferente com a política que de responsável pela organização da sociedade humana passou a ser responsável por sua desorganização vez se encontrar a sociedade humana em tamanha desordem que um por cento dos seres humanos detêm maior riqueza do que os noventa nove por cento restantes.  

É, portanto, boa ação implicar contra os males dessa trilogia satânica sistema financeiro/religiosidade/má política que desde sempre se nutre do desconhecimento a fim de desfrutarem seus líderes de vida faustosa de tripa forra. Enquanto a religião convence o ser humano de ser deus o responsável por seu destino, a má política disso se aproveita para dar expansão à maldade natural do ser humano ainda não civilizado para engendrar uma política tão má que entra em conluio com o sistema financeiro criminoso e o resultado são levas de necessitados infernizando a vida de quem ainda não precisa se marginalizar para tomar-lhe o que consegue ter a duras penas. Tudo é falso no mundo. Uma pergunta cala na consciência de quem superou a fase triste de povo: estará a humanidade condenada à infelicidade?

Não! Não é o que acontece. Se assim tem sido é por falta de interesse em viver a realidade em vez de se contentar com as mentiras de sempre que têm entre os males delas decorrentes o de eliminar a vantagem que poderia proporcionar ao bem-estar social o instituto da democracia de que tanto falam papagaios de microfone e cientistas de politicagem, mas que só não acontece em virtude de ser o eleitorado incapaz de distinguir entre falso e verdadeiro para que pudesse não se deixar iludir com falsas promessas e fazer melhor escolha entre a plêiade de malandros que se apresentam com intuito inconfessável. Como não é esse o caso, e a escolha é decidida por quem está mais interessado na cor da fumaça na chaminé do Vaticano, em saber com que “famoso” determinada “famosa” está trepando, ou se a bola passou do lado ou entre as pernas do goleiro, o resultado é se ter ladrão responsável pelo erário.

Embora com o tempo seja inevitável o despertar para a realidade, este despertar tem sido retardado propositadamente para que se perpetue este estado mórbido de indolência mental que tanto beneficia aproveitadores desavergonhados e perversos. No dia 02/05/2020, às cinco horas da manhã, na rádio Bandeirantes AM de SP, que desempenha o baixo papel de arauto do pão e circo, papagaio de microfone dizia de lá que Alagoas tem políticos importantes como Renan Calheiros e Artur Lyra. Quer dizer, então, que político que carrega a pecha de ladrão é importante? E ninguém se incomoda com tamanha inversão de valores? Por que o papagaio de microfone diz ser importantes dois políticos que respondem por roubo, mas não mencionou Heloisa Helena que não enriqueceu na política? Desta forma, sendo a preferência pela má política, estaremos concordando em viver numa sociedade de gatunos na qual não há lugar para verdade, moralidade e honradez. A malandragem é tão clara que a faculdade de escolha, a periodicidade e o direito de substituição do eleito que mija fora do penico, corolários dos arautos da democracia, caem por terra se do direito de escolha resultam ladrões no poder, da periodicidade e do direito à substituição resulta a reeleição e o continuísmo da locupletação. Se a cultura em voga no mundo do venha a mim e os outros que se danem tem a locupletação por finalidade, evidente é a impossibilidade de haver administração pública correta sem que o interesse do povo não seja trazido de deus e do pão e circo para o problema de estar o bem-estar social fundamentado numa tal de economia política a respeito da qual, na página 18 do livro Novas Confissões De Um Assassino Econômico, de John Perkins, é dito o seguinte: “... é importante notar que a palavra capitalismo se refere a um sistema econômico e político em que comércio e indústria são controlados por proprietários privados e não pelo Estado”. Aí está algo capaz de esclarecer a razão do descompasso humano. Sendo lucro ilimitado e a qualquer custo o combustível do proprietário privado, deixar que a usura desses degenerados mentais jogue solta sem que o Estado lhes encurte as rédeas resulta no descalabro de haver quem possua riqueza para viver mil vidas ao lado de quem morre de fome, o que, inevitavelmente, levará ao desastre.

Ou haja um trabalho que revertendo o efeito do pão e circo traga para a administração da riqueza pública o interesse do povo ou instalar-se-á o caos para infelicidade das criancinhas de hoje porque a realidade vivida é a seguinte: quando empresários (dos quais depende a economia da qual depende o bem-estar social) de determinado setor, como acontece nesse momento com o setor de combustíveis resolvem substituir por modelos mais novos seus iates e comprar novos para os filhos, adquirir jatinhos, celulares, automóveis, helicópteros e mansões mais luxuosos e modernos, se para fazer isso precisam aumentar em vinte por cento o preço de seu produto (combustível, como acontece nesse momento), aumentam-no em cinquenta por cento, provocando o tremendo alarido do ídolo de pau oco de uma juventude oca, Roberto Carlos. Infindáveis mexericos da papagaiada de microfone e cientistas de politicagem se alevantam então em grande alvoroço. Afirmam alguns deles não haver motivo para tamanho aumento; dizem outros ser o combustível mais caro do mundo e de qualidade mais inferior, enquanto garantem outros que a responsabilidade é da Rússia e para outros é do chuchu ou do pimentão. Passado o alvoroço e as imensas filas para encher o tanque de carrinhos ordinários onde se lê foi deus que mim deu e acostumado o povo com o aumento de cinquenta por cento, tomando Romanée Conti e mamando caviar Beluga em novos e esplendorosos iates, mansões com carrões na garagem e luxuosos helicópteros nos helipontos, os empresários retiram os trinta por cento excedentes do aumento e a malta ignara de frequentadores de igreja, axé e futebola respira aliviada e satisfeita enquanto a papagaiada de microfone e cientistas de politicagem fazem nova festa para enaltecer a democracia cuja política teria trazido tamanho benefício ao povo.

Vamos encerrar essa “prosa” sobre a impossibilidade de poder a instituição democracia funcionar bem lembrando que ela se fundamenta na faculdade de poder escolher a quem eleger, o que corresponde ao direito de decidir quem deve ir para o trono da vida dourada proporcionada pelo cofre do erário que garante tripa forra em devorteios mundo afora e riqueza para levar prá casa. Mas, como ensina Fábio Konder Comparato, na página 13 de A OLIGARQUIA BRASILEIRA, a decisão só é legítima quando não é influenciada por sedução. Portanto, será ilegítimo o direito democrático se a escolha é influenciada pela sedução da arte de explorar a estupidez humana, a propaganda, que a custo de cinco bilhões pagos a malandros habilidosos na arte de seduzir, conhecidos por marqueteiros, induzem o eleitorado a votar em fulano ou beltrano.

E assim é que entramos pelo pé de pinto e saímos pelo pé de pato e meu senhor mandou dizer prá contar mais quatro.